Roberto Assaf: Flamengo vence Botafogo em placar mentiroso
O 3 a 0 a favor do Rubro-Negro foi um resultado absolutamente injusto, pois o Mengo não viu a cor da bola no tempo derradeiro
Apesar do domínio inicial do Flamengo, o time caiu drasticamente de rendimento no segundo tempo e foi pressionado pelo Botafogo. Ainda assim, em uma vitória considerada enganosa e injusta pela atuação apática na etapa final, a equipe rubro-negra aproveitou contra-ataques cirúrgicos para construir a goleada por 3 a 0, com gols marcados por Samuel Lino e Carrascal, expondo a passividade tática do técnico Léo Jardim mesmo diante do resultado positivo conquistado no clássico.
O Flamengo, como sempre, fez um ótimo primeiro tempo, perdeu várias oportunidades, morreu após o intervalo, mas conseguiu vencer o Botafogo por 3 a 0. Com gols de Samuel Lino - um sujeito de uma sorte desigual neste mundo - e Carrascal, em resultado absolutamente injusto, pois não viu a cor da bola no tempo derradeiro. Era branca.
O Flamengo pagou mais de R$ 300 milhões para Lucas Paquetá ser reserva de Samuel Lino. É como você possuir um Aston Martin e só andar de Fusca.
Na realidade, o Brasileiro já acabou faz tempo, e o que resta é conhecer os clubes que vão à Libertadores e os que cairão. Léo Jardim não é um mau treinador. Mas ainda não entendeu que o Flamengo não entra em campeonatos para participar, mas para ganhar títulos, o que o leva a uma passividade impressionante. Mas é outro peludo. Em dois contra-ataques, após tomar uma pressão absurda, o seu time marcou mais duas vezes - vencia por 1 a 0 - e liquidou o adversário.
O Botafogo, com a certeza de ter um time inferior, sob o aspecto técnico, entrou com três zagueiros, e recuado, apostando em contra-ataques, deixando a bola com o Flamengo, que começou com o seu habitual toque de bola, sem muita efetividade. Aos oito minutos, a estratégia alvinegra deu certo, pois Arthur Cabral marcou, mas o VAR mandou avisar que o atacante pôs a mão na bola, e o gol foi anulado. Aos 12, Jorginho lançou Samuel Lino, que tirou Justino da jogada e bateu entre as pernas de Gabriel Batista: 1 a 0. É mais uma semana, no mínimo como titular e craque absoluto, comparado, pelos que viram pouco futebol, a alguns dos monstros sagrados da Gávea.
Flamengo domina. Mas não amplia
Aos 18, Alex Telles, contundido, deu lugar a Lucas Monzon, e as circunstâncias levaram o Botafogo a sair de trás, o que mantinha a equipe de Rodrigo Bellão mais vulnerável, e pior, errando passes com freqüência. Assim, logo recomeçou a lenga-lenga: o Flamengo trocando dezenas de passes, criando e desperdiçando chances, Com meia hora, a equipe de Léo Jardim tinha 70% de posse da bola, o que de pouco adiantava, pois o Rubro-Negro não conseguia ampliar. As defesas do goleiro e os chutes para fora se multiplicavam. Um cruzamento exótico de Emerson Royal - de fazer qualquer criança chorar no berço - aos 43 deixou evidente a dificuldade.
O que fazia o Botafogo continuar na partida, e o placar aberto, era o bom futebol de Danilo, que sentia, e muito, a ausência de alguém do seu nível para dialogar. A expectativa para a segunda etapa era enorme. Repetiria o Flamengo as atuações lamentáveis dos jogos anteriores?
Botafogo manda no segundo tempo
O Alvinegro trocou Montoro por Danilo Pereira, sugerindo maior poder ofensivo, mas foi o time da Gávea que começou atacando. O problema é que Samuel Lino - uma espécie de boneco do posto - atrapalha e se atrapalha. Quanto valeria Doval nos dias de hoje? Aos poucos, o Botafogo começou a buscar o empate, o que fatalmente pode ocorrer, pois com 10 minutos, a equipe de Léo Jardim já estava entregue. O de sempre. Aos 11, o técnico lançou Lucas Paquetá, sacando Luiz Araújo.
Agora é o time de Bellão que leva perigo a todo instante. O Flamengo tem duas equipes distintas: a do primeiro tempo, que domina e não mata o jogo, e a do segundo, que é de assustar. Só um gol relâmpago salva o Rubro-Negro. Aos 22, Lucas Paquetá marca, mas de forma irregular. Resta saber quando sairá o tento do empate.
Fla 3 a 0
E Samuel Lino continua em campo. É como jogar com 10. Um fenômeno. O treinador não substitui. Impressionante. O Botafogo põe mais dois na frente. Aos 32, Lucas Paquetá bateu no chão e Gabriel Batista pegou. Lance raro naquele momento. O Alvinegro segue com a bola. O Flamengo é um morto que caminha. Só falta a cova. Mas Samuel Lino é de uma sorte sem limite. Rossi lança Carrascal, que deixa ele, Samuel Lino livre para tocar na saída do goleiro: 2 a 0. Aos 45, Éverton Cebolinha deu de calcanhar para Carrascal, que chutou à esquerda do goleiro: 3 a 0.
Placar mentiroso. Nada além.
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