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Filha de Maradona acusa ex-advogado e equipe médica de articularem plano para controlar o pai

Gianinna Maradona afirmou estar convencida de que havia um "plano" articulado pelo entorno e pela equipe médica de seu pai para mantê-lo sob controle nos meses que antecederam sua morte. Não necessariamente para matá-lo, diz ela, mas para preservar interesses de quem administrava sua vida e sua marca. As declarações ocorrem paralelamente ao julgamento de sete profissionais de saúde acusados de negligência no caso que abalou a Argentina em 2020.

3 mai 2026 - 12h54
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Gianinna Maradona, filha de Diego Maradona, declarou estar convencida de que existia um "plano" articulado pelo entorno e pela equipe médica de seu pai, não necessariamente para matá-lo, mas para mantê-lo sob controle. A afirmação foi feita em entrevista a alguns meios de comunicação durante o julgamento em San Isidro de sete profissionais de saúde acusados de negligências fatais relacionadas à morte do ídolo argentino, em 25 de novembro de 2020.

Aos 36 anos, Gianinna apontou diretamente para figuras próximas de Maradona, como o ex-advogado e representante Matías Morla e o ex-assistente Maximiliano Pomargo. Nenhum dos dois está entre os acusados deste processo, mas ambos acabam de ser enviados a julgamento — em data ainda não definida — por suposta gestão fraudulenta das marcas comerciais associadas ao nome Maradona.

"Não consigo conceituar corretamente esse plano, a ideia de que queriam matá-lo. Mas Morla queria ter a vida do meu pai nas mãos? Com certeza", afirmou. Para ela, havia alguém "dirigindo" esse esquema, mas que acabou perdendo o controle da situação.

Convalescença em casa e interesses em jogo

Gianinna lembra que alguns dos acusados convenceram a família, em novembro de 2020, de que a única opção após a neurocirurgia de Maradona era uma recuperação em casa, e não uma internação psiquiátrica. Essa alternativa teria permitido tratar também suas dependências, mas exigiria a tutela de um juiz — algo que, segundo ela, não interessava ao círculo próximo.

"Não era conveniente que meu pai fosse internado em psiquiatria, porque muitas coisas desmoronariam para Morla", afirma. Ela recorda que Maradona havia dado ao advogado uma procuração para uso comercial de seu nome. "Ele tinha a assinatura, podia assinar como se fosse o papai."

Segundo Gianinna, esse poder permitia a Morla controlar decisões e negócios, e o círculo íntimo pensava "o tempo todo no aspecto financeiro, não na saúde do papai". Em sua longa declaração no tribunal, duas semanas antes, ela descreveu uma "manipulação total, horrível" da família pela equipe médica.

O local escolhido para a convalescença — uma casa ampla em Tigre, ao norte de Buenos Aires, mas sem equipamentos médicos adequados e descrita pela acusação como "desprovida de tudo" — tornou-se um ponto central do processo. Para Gianinna, os sete acusados "são todos responsáveis, alguns em grau maior que outros".

Ela aponta especialmente Leopoldo Luque, então médico pessoal de Maradona, como quem "gerenciava tudo" na equipe. "Era a voz principal", afirma. Ainda assim, insiste que cada um tem responsabilidade pelo que fez ou deixou de fazer. "O enfermeiro que deveria tê-lo examinado antes de ir embora não o examinou, e o enfermeiro que chegou depois também não."

Medo, omissões e a morte solitária

Maradona morreu aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória e de um edema pulmonar, segundo laudos, após horas de agonia, sozinho em sua cama na residência alugada para a recuperação. Para Gianinna, todos seguiam uma mesma "linha diretora", reforçando sua tese de que havia um plano.

Ela afirma que quem "puxava os fios" era Maximiliano Pomargo, ex-braço direito de Maradona e cunhado do advogado Morla. Segundo Gianinna, quando o estado de saúde do pai começou a piorar, os integrantes da equipe "ficaram com medo", como revelam áudios anexados ao processo. "Nos áudios, escutam-se coisas como 'vou me resguardar legalmente'. Eles nunca imaginaram que a promotoria agiria rápido, apreenderia seus telefones, faria buscas."

Os sete acusados negam qualquer responsabilidade e alegam que Maradona morreu por causas naturais. Cada um se apoia em sua especialidade e em seu papel dentro da equipe. Eles podem pegar entre oito e 25 anos de prisão.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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