Seu Barriga ergue taça da Libertadores e aprende o "vai, Corinthians"
O ator mexicano Edgar Vivar vestiu-se a caráter para conhecer o Corinthians nesta última quarta-feira. Ele não estava com o terno que distinguia o "Senhor Barriga" no seriado "Chaves" nem com o macacão de "Nhonho". "Vim de alvinegro, com as cores do Corinthians. Estou bem?", perguntou, sorridente, com um casaco preto sobre sua camisa social branca. Estava ótimo - ao menos para visitar o museu do clube que escolheu para torcer no Brasil, levantar o troféu de campeão da Copa Libertadores da América e gritar "vai, Curintia" naquela manhã.
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Em sua quinta visita ao Brasil, onde está em turnê com o show "Senhor Barriga é jovem ainda!", Edgar Vivar já se sente "um corintiano como outro qualquer", conforme ele mesmo definiu. "Aprendi a gostar do Corinthians por causa dos meus assessores brasileiros. Eles ficam falando de Corinthians durante todo o tempo: de dia, de noite, antes do sexo, depois do sexo... Acho até que, quando estão fazendo sexo, devem ficar repetindo: ¿Corinthians, Corinthians, Corinthians...¿", gargalhou o ator, provando que não perdeu o humor dos tempos de Seu Barriga. "Também sou corintiano agora. Não falo isso da boca para fora, ouviu? É de coração!", exclamou.
Para ser batizado definitivamente como corintiano, no entanto, restava a Edgar Vivar conhecer um pouco mais sobre a história do clube. Por isso, o artista se mostrou ansioso no Memorial do Corinthians. Não escondia o seu desejo de tocar em uma peça do museu, especificamente: "A taça da Libertadores estará lá?". Diante da resposta afirmativa, ele esfregou as mãos, satisfeito, e voltou-se a concentrar no trajeto do seu hotel ao Parque São Jorge. "Será que a gente vai demorar muito a chegar? Já estamos na Marginal?", perguntou.
Após mais de uma hora de trânsito ("muito parecido com o da Cidade do México", como ele repetiu várias vezes), Edgar finalmente começou a saciar a sua curiosidade. "Olhe ali: Poderoso Timão! É verdade que chamam o Corinthians de Timão por causa do seu escudo, que é como um timão de barco? Timão também significa grande time, não? Nossa, que legal!", empolgou-se, quando avistou os muros do Parque São Jorge. Assim que desceu do veículo, ele fez questão de tirar uma fotografia sua diante do distintivo corintiano e publicar em seu Twitter, com a mensagem: "Arriba, Corinthians!".Com passadas entusiasmadas, Edgar seguiu em direção ao museu.
"É o Seu Barriga ali? Meu Deus!", perguntavam torcedores que estavam na fila de entrada, à espera para conhecer o troféu da Libertadores. Ele não chegou a ser recebido com uma pancada, como ocorria quando ia à famosa vila do Chaves, porém precisou enfrentar bastante assédio dos demais corintianos. Posou para fotografias com uma série de adultos emocionados e com crianças acanhadas - até implorar por um pouco de espaço: "Quero conhecer o museu! Cadê o troféu, hein?".
Edgar nem sequer se importou com a advertência de que a taça da Libertadores era pesada. Mesmo com os seus 63 anos e os resquícios dos problemas de saúde decorrentes da época de obesidade (em 2008, fez cirurgia de redução de estômago para emagrecer), o ator ergueu o troféu com um movimento só. Extasiado, colocou a língua para fora e fez caretas para tirar diversas fotografias - já nem um pouco a contragosto -, procurou o escudo do Corinthians na base da peça e deu a sua opinião sobre a importância da conquista.
"O Corinthians tornou-se mais popular para os mexicanos por causa desta Libertadores. Jogou até com o Cruz Azul, do México, não foi? Mas os verdadeiros fãs do futebol conhecem o Corinthians em todos os lugares", bradou, agora cansado. "Ufa. Essa taça tem uns 12 kg, eu calculo. E é a original!", vibrou.
A vitória na Libertadores também serviu para aproximar um mexicano em especial, o próprio Edgar, dos corintianos brasileiros. "Jovem ainda", como reza uma das consagradas músicas de Chaves, o artista é atento às novas tecnologias e acompanhou a final da Libertadores contra o Boca Juniors pelo Twitter - virou assíduo usuário da ferramenta virtual.
"Eu estava trabalhando no dia do jogo, mas fiquei sabendo pela internet. No Twitter, as pessoas ficavam me informando o que acontecia a cada minuto dentro de campo. Quando a decisão acabou e o Corinthians foi campeão, então, foi uma loucura. Não dava nem para contar a quantidade de mensagens que recebi do Brasil", sorriu. Ele desconhecia uma brincadeira comum contra os corintianos nas redes sociais antes do título, a de que "ver o Corinthians na Libertadores era como assistir ao Chaves, para dar risada já sabendo o final". A provocação acabou - com o aval do Seu Barriga.
O carinho do público brasileiro no Twitter fez Edgar esquecer uma antiga paixão no futebol. Torcedor do Pumas no México, ele titubeou ao responder se admirava mais alguma equipe além do Corinthians. "Não, não. Quer dizer... Na Argentina, sou Boca Juniors. Mas o Boca já ficou para trás, inclusive do Corinthians. Está muito mal realmente. Até os argentinos reconhecem isso", garantiu. "E, durante os três anos em que morei em Buenos Aires, fui só a um jogo do Boca. Lembro que levei quase duas horas para caminhar até La Bombonera, pois as pessoas não paravam de me saudar. Diziam: 'Señor Barriga! Soys um fenomeno!'. Quando cheguei, já com a partida começada, passaram a cantar aquele 'dale, dale, Boca!'. Era Boca contra River Plate, um clássico! O Boca ganhou e toda a torcida foi comemorar no Obelisco", acrescentou, aparentemente saudosista.
Em seguida, um gesto de Edgar comprovou que o vice-campeão continental já havia sido substituído pelo campeão em seu coração. Ele estagnou diante de uma parede ilustrada com a letra do hino corintiano e começou a cantarolar, sem errar a melodia. "Figuras entre os primeiros do nosso esporte bretão... O que é bretão?", questionou, antes de voltar a se emocionar com "o campeão dos campeões". A reportagem da GE.net presenteou o ator com uma camisa do Corinthians, com o número 8 (de "Chaves do oito", como no título mexicano do seriado) e o nome "Sr. Barriga" impressos nas costas. "Que lindo! Eu estava esperando por isso!", confessou, chegando a retirar os óculos escuros do rosto para secar os olhos marejados.
"Quer dizer que vocês queriam me dar a camisa 14 do Corinthians, por causa dos 14 meses de aluguéis que o Seu Madruga me devia? Que bom que não fizeram isso! Chega desse trauma! O número oito é muito melhor", gargalhou o comediante.
O uniforme oficial não foi a única lembrança que Edgar levou do passeio. "Vamos conhecer a lojinha do Corinthians!", pediu. Lá dentro, ele colocou na cabeça um boné preto, com o distintivo do clube em destaque, e não retirou mais. "Não ficou bem em mim?", disse. Também comprou uma camisa infantil, para dar de presente, e um agasalho listrado em preto e branco. "Vocês vendem até cachaça do Corinthians?", surpreendeu-se, manuseando a garrafa da bebida. O valor do livro oficial do centenário corintiano, R$ 15 mil, espantou ainda mais o ator que interpretava o rico Seu Barriga em Chaves. "Nossa! As coisas estão um pouco caras, hein?", constatou.
Os funcionários da loja do Corinthians no Parque São Jorge não se importaram com as críticas de Edgar aos preços dos produtos. Um deles, quase chorando, cumprimentou "o homem que alegrou toda a sua infância" e recebeu um afetuoso abraço como retribuição. Já o proprietário se apressou para presentear o cliente ilustre com um passaporte da "República Popular do Corinthians". "O senhor vai precisar disso para ir ao Japão no final do ano, já que o Corinthians agora é um clube internacional", afirmou, de boca cheia. Agradecido, o comediante voltou a se concentrar nos valores - até deparar com um quadro com uma fotografia do Pacaembu lotado.
"Quero conhecer!", avisou, sem o mesmo ânimo para falar da Arena Corinthians, em construção em Itaquera, sede do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. "Vai ficar pronta a tempo do Mundial, sim. Um dia antes!", brincou.Apesar de suas dúvidas em relação à construção do Itaquerão, que ninguém conteste o afeto de Edgar Vivar pelo Corinthians.
Ele pegou uma caneta amarela para deixar registrada para posteridade, na loja do clube, a visita ao Parque São Jorge. "Vai, Curintia!", escreveu, escolhendo uma frase já tradicional entre os torcedores, que sua assessoria lhe ensinou. No longo caminho de volta para o hotel onde está hospedado em São Paulo, os gritos alegres do comediante não deixavam dúvidas de que aquele já havia se tornado o novo bordão do Seu Barriga.