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MP vê possível gestão temerária e pede esclarecimentos ao Corinthians sobre troca de tiqueteira

Clube argumenta que promotor Cássio Conserino faz 'juízo antecipado' ao afirmar que rescisão com a OneFan 'está permeada por sentimentos não muito nobres'

6 nov 2026 - 20h04
(atualizado às 20h10)
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Resumo
O Ministério Público de SP deu cinco dias para o Corinthians explicar a troca da OneFan pela Fever na gestão de ingressos. O promotor Cássio Conserino aponta risco de gestão temerária e multa de até R$ 30 milhões por rescisão imotivada, após o clube negociar adiantamento de R$ 50 milhões com a concorrente. A dívida pode até afetar repasses da Nike. Em resposta, o Corinthians criticou a postura do promotor por juízo antecipado de valor, mas garantiu que prestará todos os esclarecimentos exigidos.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu esclarecimentos ao Corinthians sobre o movimento para trocar a OneFan pela Fever na gestão de ingressos do clube. Em notícia de fato registrada nesta sexta-feira, 6, o promotor Cássio Conserino menciona o risco de multa milionária pela quebra de contrato com a atual tiqueteira e dá cinco dias úteis como prazo para receber as explicações.

Conserino também chama de "postura obscura" a busca pela rescisão com a OneFan e afirma que tal sinalização "está permeada por sentimentos não muito nobres". Procurado pela reportagem, o Corinthians menciona esse trecho do documento, em nota, para argumentar que há "juízo antecipado expresso" nas palavras do promotor.

"O promotor atribui motivações indevidas ao Clube no mesmo ato em que pede esclarecimentos sobre os fatos. A gravidade dessa afirmação exige que os documentos sejam examinados e que o Corinthians seja ouvido antes de qualquer conclusão", diz o texto, em que o clube também afirma que "respeita as atribuições do MP".

Catraca de entrada na Neo Química Arena, estádio do Corinthians.
Catraca de entrada na Neo Química Arena, estádio do Corinthians.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

A diretoria alvinegra, liderada pelo presidente Osmar Stabile, assinou um memorando com a Fever, que ofereceu adiantamento de R$ 50 milhões em caso de fechamento do acordo. A assinatura ocorreu após a OneFan receber um e-mail de Stabile, na quinta-feira, 5 para saber se a atual parceira poderia cobrir o valor prometido pela concorrente. Ele também pedia o depósito de parte da quantia em 24 horas.

Segundo Conserino, não há justificativa para rescisão contratual antecipada e, em caso de rescisão imotivada, seria necessário aviso prévio de 12 meses. O promotor aponta a possibilidade de "eventual hipótese de gestão temerária" frente ao pedido de adiantamento de valores como condição para não rescindir o contrato.

A OneFan notificou o Corinthians há uma semana, ameaçando acionar a Justiça caso o contrato seja rescindido. A multa milionária, mencionada na notícia de fato do MP, poderia chegar à casa dos R$ 30 milhões.

Como mostrou o Sport Insider, o pagamento da rescisão, se concretizada, pode ser feito a partir da retenção de quantias pagas pela Nike ao clube. A fornecedora de materiais tem sua distribuição feita pela Fisia, que faz parte do grupo de investidores SBF, ao qual também pertence a OneFan.

A SBF é parte e a Fisia é interveniente e anuente do contrato firmado entre OneFan e Corinthians. Em um acordo de uma cessão fiduciária, a Fisia e o contrato de fornecimento entraram como garantidores.

Veja a nota do Corinthians na íntegra:

O Sport Club Corinthians Paulista respeita as atribuições do Ministério Público de São Paulo e prestará, pelos canais oficiais, os esclarecimentos solicitados.

O Corinthians lamenta, contudo, o juízo antecipado expresso no trecho atribuído ao promotor de Justiça Cássio Conserino. Ao afirmar que a possível troca da operadora estaria permeada por "sentimentos não muito nobres", o promotor atribui motivações indevidas ao Clube no mesmo ato em que pede esclarecimentos sobre os fatos.

A gravidade dessa afirmação exige que os documentos sejam examinados e que o Corinthians seja ouvido antes de qualquer conclusão.

A avaliação de alternativas comerciais faz parte da responsabilidade da administração do Clube. Eventuais propostas devem ser examinadas à luz de suas condições contratuais, de seus efeitos financeiros e da qualidade dos serviços prestados aos torcedores. É com base nesses elementos que a questão deve ser apreciada.

Sendo assim, esperamos do Ministério Público a objetividade e a cautela que o próprio exercício de suas atribuições exige.

Por fim, o Corinthians reafirma seu compromisso com a preservação de sua imagem e de sua credibilidade institucional, ressaltando que qualquer avaliação deve estar fundamentada em fatos

Estadão
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