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MP-SP investiga dívida do Corinthians com a Caixa pela Arena

Procedimento apura possíveis erros nos cálculos do financiamento e questiona o saldo atual do débito do clube

2 set 2026 - 11h10
(atualizado às 11h10)
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Resumo
O Ministério Público de São Paulo investiga a dívida do Corinthians com a Caixa pela construção da Neo Química Arena após denúncia de inconsistências nos cálculos do financiamento. A perícia aponta cobranças indevidas de juros e encargos que variam de R$ 280 milhões a R$ 455 milhões. Caso as irregularidades sejam confirmadas, a dívida do clube com o banco — hoje avaliada em R$ 642 milhões — já poderia estar totalmente quitada. A apuração ainda está em fase inicial.
Renegociação prevê parcelas que finalizarão dentro de 15 anos –
Renegociação prevê parcelas que finalizarão dentro de 15 anos –
Foto: Bruno Granja/ Corinthians / Jogada10

O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento administrativo para investigar a dívida do Corinthians com a Caixa Econômica Federal pela construção da Neo Química Arena. A apuração começou após uma denúncia apresentada pelo perito Anísio Castelo Branco.

O caso é conduzido pelo promotor Cássio Conserino e envolve possíveis inconsistências nos cálculos utilizados para atualizar o financiamento. A análise apresentada ao MP-SP questiona principalmente os juros, multas e encargos aplicados sobre os valores em atraso.

Renegociação prevê parcelas que finalizarão dentro de 15 anos –
Renegociação prevê parcelas que finalizarão dentro de 15 anos –
Foto: Bruno Granja/ Corinthians / Jogada10

Perícia questiona saldo da dívida

Segundo Castelo Branco, os cálculos utilizados pela Caixa podem ter provocado uma cobrança superior ao valor efetivamente devido pelo Corinthians. O perito também apontou diferenças relevantes na aplicação dos juros sobre as parcelas vencidas.

"Eu encontrei juros que variam de 19% ao mês a quase 450% ao mês. Não tem padrão nenhum. A Caixa teria errado nos cálculos apresentados ao Corinthians e, consequentemente, dando um valor a mais de R$ 280 milhões", afirmou Castelo Branco à Record.

A análise apresentada ao Ministério Público aponta uma possível diferença de centenas de milhões de reais. De acordo com Conserino, o valor questionado inicialmente seria superior a R$ 280 milhões e, atualizado até agosto de 2026, chegaria próximo de R$ 455 milhões.

Atualmente, o Corinthians afirma ter desembolsado aproximadamente R$ 600 milhões desde o início do financiamento. Apesar disso, o saldo devedor informado é de cerca de R$ 642 milhões. A investigação ainda precisa analisar contratos, pagamentos e critérios utilizados na atualização do débito.

Caso confirmada a perícia, o cenário pode ser diferente do apresentado atualmente. Conserino afirmou que os cálculos questionados levantam a possibilidade de a dívida da Arena já ter sido quitada.

"Pela perícia encaminhada ao Ministério Público, a Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019", afirmou Conserino.

A apuração ainda está em fase inicial e não representa uma conclusão sobre eventual irregularidade. A Caixa informou que não comenta operações específicas por causa do sigilo bancário, enquanto o Corinthians não respondeu aos contatos da Record.

Como funciona a dívida da Arena

A dívida passou por uma ampla renegociação em 2022, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves. O novo acordo, desse modo, reorganizou as obrigações relacionadas ao estádio e estabeleceu juros baseados na Selic mais 2% ao ano.

Dessa forma, o cronograma prevê pagamentos trimestrais até dezembro de 2041, isto é, dentro de 15 anos. A amortização do principal começou em janeiro de 2025, enquanto as parcelas atuais variam aproximadamente entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.

Em 2025, o Corinthians pagou cerca de R$ 60 milhões em parcelas registradas no primeiro semestre. Em 2026, os pagamentos relacionados ao acordo já somam aproximadamente R$ 56 milhões.

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Jogada10
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