Corintiano nega censura a P. André e defende "bons" de organizadas
Depois de apresentar o volante Bruno Henrique, o diretor de futebol do Corinthians, Ronaldo Ximenes, ouviu várias perguntas relacionadas à invasão do CT alvinegro no último dia 1º. Ele negou qualquer censura ao zagueiro Paulo André - ligado ao movimento Bom Senso FC e defensor de greve após o incidente - e se recusou a atacar as torcidas organizadas.
"Qualquer jogador, qualquer funcionário do Corinthians tem direito de ter a função política, desde que, logicamente, não fira os interesses do clube. Aí, são outros quinhentos. Até hoje, mesmo dedicado a essas causas, o Paulo André não entrou em nenhum momento em rota de colisão. Ele merece e tem o direito de se manifestar da maneira que quiser. Inclusive respeitando a camisa que veste", afirmou o dirigente.
Em texto divulgado na última segunda, o defensor discorreu longamente sobre todas as tratativas para que o Corinthians não entrasse em campo no dia seguinte à invasão. Os atletas acabaram sendo convencidos, foram ao Estádio Moisés Lucarrelli e perderam para a Ponte Preta por 2 a 1.
Ximenes disse ter lido a carta. "Ninguém queria, ninguém tinha a intenção de jogar contra a Ponte Preta, inclusive eu, o Edu (Gaspar, gerente de futebol) e o doutor Mário (Gobbi, presidente). Depois de ter a casa invadida e ser alvo de uma série de atos criminosos, você tem vontade de ir ao campo? Depois, conjuntamente, tomamos a decisão de jogar, embora contrariados."
O diretor, que reiterou a "decisão conjunta", rebateu ainda a acusação do coronel Benedito Roberto Meira, comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, que, em entrevista à rádio Jovem Pan, defendeu a atitude passiva dos policiais no dia da invasão. Para Meira, os torcedores "entraram pelo portão da frente".
Ronaldo Ximenes não gostou da palavra "promiscuidade" usada pelo coronel e riu da afirmação de que a entrada tenha sido autorizada. "Vocês viram que não foi pelo portão da frente. Eles furaram o alambrado, foi uma invasão violenta", comentou o dirigente, recusando-se a responsabilizar das torcidas organizadas pelo episódio.
"Quanto às organizadas e desorganizadas, há pessoas boas lá dentro e lá fora. Tachar, dizer que organizada não presta, que é marginal, não é o correto. Há pessoas muito boas lá dentro. Como há, fora, pessoas que têm uma conduta errônea", concluiu o diretor de futebol do Corinthians.
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