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Corinthians enfrenta ações judiciais e valores ultrapassam R$ 2,8 milhões

O Corinthians enfrenta 30 ações trabalhistas relacionadas à antiga divisão de eSports, com processos que somam mais de R$ 2,8 milhões. Parte das decisões já condenou o clube junto à empresa CDS, responsável pela operação das equipes. O Timão afirma ter rescindido o contrato após irregularidades e cobra ressarcimento pelos prejuízos.

26 out 2026 - 15h21
(atualizado às 15h21)
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Resumo
O Corinthians enfrenta 30 processos trabalhistas que ultrapassam R$ 2,8 milhões devido a dívidas de sua antiga divisão de eSports, terceirizada para a empresa CDS. A Justiça já condenou o clube de forma subsidiária em dez das 13 ações julgadas por considerar o uso de sua marca na operação, gerando cobranças diretas por salários atrasados e indenizações. Após rescindir a parceria por descumprimento de obrigações, o Timão cobra R$ 439 mil da administradora para tentar reaver os prejuízos causados.
Clarence Seedorf
Clarence Seedorf
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians / Esporte News Mundo

O Corinthians enfrenta uma série de processos trabalhistas relacionados à antiga divisão de esportes eletrônicos (eSports) do clube. Segundo levantamento publicado pelo ge nesta segunda-feira (26), são 30 ações envolvendo o Timão e a empresa CDS E-Sports e Entretenimento Ltda., responsável pela operação das equipes por meio de um contrato de licenciamento de marca.

Os processos somam mais de R$ 2,8 milhões e envolvem reclamações de jogadores e outros profissionais que trabalharam no projeto. Entre as principais reivindicações estão o reconhecimento de vínculo empregatício, salários atrasados e indenizações por danos morais.

Embora a contratação dos profissionais tenha sido realizada pela empresa parceira, o Corinthians também passou a responder judicialmente em parte dos casos. O entendimento adotado em algumas decisões é de que o clube pode ser responsabilizado subsidiariamente por obrigações trabalhistas não quitadas pela administradora, já que a operação utilizava sua marca e estrutura.

Processos já resultaram em condenações

De acordo com o levantamento, das 30 ações identificadas nos Tribunais Regionais do Trabalho, sete já tiveram condenações em primeira instância e seis chegaram a decisões condenatórias em segunda instância. Os outros 17 processos ainda não tinham sentença na data da publicação.

Entre as 13 ações com decisões judiciais, o Corinthians foi condenado junto com a CDS em dez casos. As três absolvições ocorreram em primeira instância, conforme as informações divulgadas.

Um dos processos envolve um ex-jogador de eSports e resultou em uma condenação de R$ 85.455,74, valor apresentado em um cálculo de execução provisória. Como a empresa não efetuou o pagamento e não foram encontrados bens para bloqueio judicial, a cobrança foi direcionada ao Corinthians.

Outro caso envolve uma ex-jogadora que havia firmado um acordo de R$ 58 mil, parcelado pela empresa. Após o pagamento de apenas R$ 20,5 mil, o clube precisou arcar com aproximadamente R$ 42,9 mil em valores corrigidos.

Os valores variam conforme os pedidos de cada trabalhador. A maior ação identificada no levantamento foi apresentada por uma ex-coordenadora da divisão, com valor inicial de R$ 460.257,32. Ela obteve parte dos pedidos atendidos em primeira instância, em uma condenação de aproximadamente R$ 200 mil, cujo montante definitivo ainda dependeria de cálculo judicial.

Como funcionava a divisão de eSports do Corinthians

A operação das equipes de esportes eletrônicos foi transferida à CDS por meio de um contrato de licenciamento assinado em julho de 2022. A empresa recebeu autorização para utilizar a marca do Corinthians e ficou responsável pela contratação dos atletas, pelo pagamento dos profissionais e pela administração das equipes.

O projeto envolvia modalidades de jogos eletrônicos e teve problemas relacionados à gestão, à estrutura de trabalho e ao cumprimento das obrigações financeiras. Atrasos salariais e outras irregularidades contribuíram para o encerramento da parceria.

O Corinthians rescindiu o contrato em agosto de 2025, após uma série de descumprimentos e tentativas de regularização das pendências. A decisão foi tomada em meio a denúncias envolvendo pagamentos atrasados, condições de trabalho e problemas na participação das equipes em competições.

Apesar do encerramento da operação, as reclamações trabalhistas continuaram tramitando na Justiça. A saída da empresa responsável pela administração não eliminou as disputas sobre os direitos dos profissionais que atuaram no projeto.

Corinthians cobra ressarcimento da empresa

Em manifestação enviada ao ge, o Corinthians afirmou que os contratos atribuíam à CDS a responsabilidade pela gestão das equipes, contratação e remuneração dos trabalhadores, encargos trabalhistas e demais despesas da atividade.

O clube declarou que realizou cobranças formais, reuniões e renegociações para tentar solucionar as pendências. Segundo a instituição, as tentativas não produziram resultados suficientes para regularizar a situação, levando à rescisão contratual.

O Timão também informou que formalizou uma cobrança de R$ 439.705,10 contra a CDS em fevereiro de 2026, referente a débitos contratuais atualizados até aquele momento.

Na avaliação do clube, eventuais condenações trabalhistas não afastam a responsabilidade contratual da empresa administradora nem o direito de exigir o ressarcimento dos prejuízos. A diretoria afirmou que continuará adotando medidas jurídicas para defender seus interesses e buscar a reparação dos danos.

O ge informou que tentou contato com Milson Januário, último administrador da CDS, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço permaneceu aberto para manifestação.

Impacto financeiro e preocupação com a gestão

Embora os valores das ações sejam relativamente pequenos em comparação com o orçamento do futebol profissional, o acúmulo de processos representa um problema jurídico e institucional para o Corinthians.

O principal risco está na quantidade de ações semelhantes e na possibilidade de o clube precisar responder por obrigações que não foram cumpridas pela empresa licenciada.

Com os processos ainda em andamento, os valores definitivos dependerão das decisões judiciais e da fase de execução de cada ação. Enquanto isso, o Corinthians busca responsabilizar a antiga administradora pelos prejuízos, ao mesmo tempo que enfrenta as cobranças relacionadas aos profissionais que atuaram na operação.

Esporte News Mundo
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