Corinthians é recomendado a recuperação judicial ou extrajudicial
Com dívidas que superam R$ 2,8 bilhões, o Corinthians recebeu a recomendação de especialistas do Conselho Deliberativo para aderir à recuperação judicial ou extrajudicial. O parecer aponta que o atual Regime Centralizado de Execuções é insuficiente, pois a Selic e os juros continuam inflando o passivo. Para viabilizar a reestruturação e evitar a falência, o clube precisará notificar a CBF, criar um comitê interno, auditar suas pendências e comprovar equilíbrio financeiro imediato.
Um levantamento realizado por um grupo técnico de especialistas, instaurado pelo presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, recomendou que a diretoria do clube avalie a adesão a uma recuperação judicial ou extrajudicial como alternativa para reestruturar suas finanças e controlar o endividamento, que supera R$ 2,8 bilhões.
O grupo de especialistas concluiu que o Regime Centralizado de Execuções (RCE), mecanismo adotado em janeiro de 2026 para redefinir o pagamento de dívidas cíveis, é insuficiente para sanar de forma estrutural o passivo do clube. De acordo com o relatório entregue à presidência executiva, o RCE permitiu a centralização e a contenção de execuções, mas a atualização dos valores pela taxa Selic e as dificuldades procedimentais impediram a redução substancial da dívida.
Atualmente, o saldo do RCE reúne 40 processos cíveis de 23 credores e apresentou crescimento, passando de R$ 224,9 milhões para R$ 237,4 milhões em razão dos juros.
O relatório aponta que recorrer à recuperação extrajudicial ou judicial possibilitaria renegociar débitos de forma coletiva, reorganizar as operações financeiras e apresentar um plano de pagamento estruturado para evitar a falência. Enquanto a recuperação judicial envolve intermediação direta da Justiça, a modalidade extrajudicial apoia-se na negociação direta entre o clube e seus credores.
Caso o clube decida avançar com uma das medidas, o parecer detalha exigências e etapas formais a serem cumpridas:
Comunicação regulatória: Notificação à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão da CBF responsável pela gestão do Sistema de Sustentabilidade Financeira dos clubes.
Governança interna: Criação de um Comitê Executivo de Reestruturação com representação dos setores jurídico, financeiro, contábil e de futebol do clube.
Inventário do passivo: Elaboração de um inventário único e auditado, detalhando credores, contratos, datas, fatores geradores, natureza das pendências e garantias oferecidas.
Demonstração de equilíbrio financeiro: Comprovação de que o clube cessou a geração de novas dívidas e opera conforme sua capacidade econômica real.
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