Com pontuação pior do que 2007, Corinthians mira 'fato novo' no Dérbi
A nove jogos do fim, Timão tem aproveitamento inferior ao do ano de rebaixamento; troca de técnico antes de clássico é busca de reagir.
Com campanha inferior à do rebaixamento de 2007, o Corinthians vive grave crise após engatar sete derrotas seguidas no Brasileirão e ficar dois meses sem vencer. O revés contra o Internacional culminou na demissão do técnico Fernando Diniz. Em 16º lugar, com 32 pontos, o Timão precisa de um resultado positivo no clássico contra o Palmeiras para evitar a entrada no Z4, tendo ainda que superar desfalques importantes e corrigir sua fragilidade defensiva para escapar da queda à Série B.
Há exatos dois meses sem vencer no Campeonato Brasileiro, o Corinthians vive a sua reta final mais delicada na competição desde 2007, quando foi rebaixado pela única vez. Em números, a situação do clube a nove rodadas do fim é ainda pior que a de 19 anos atrás. Após 29 jogos, o time tem um aproveitamento pior em comparação com o mesmo momento no fatídico ano.
Após a derrota para o Internacional, a sétima consecutiva na competição, o clube demitiu Fernando Diniz. E caso não vença o clássico contra o Palmeiras, no domingo (11), no Nubank Parque, pode entrar no Z4 em trecho crucial da competição.
'Número mágico'
Em 2007, o Corinthians ocupava a 18º posição com 34 pontos em 29 jogos, um aproveitamento de 39,08%. Na atual disputa, embora esteja um posto acima do Z4, são 32 pontos e aproveitamento de 36% com o mesmo número de partidas. Dessa forma, para chegar ao "número mágico" de 45 - visto como seguro para escapar da degola - será necessário amealhar 39,39% dos pontos restantes (13 de 30).
O Corinthians completa nesta sexta-feira (9) dois meses sem vencer no Campeonato Brasileiro. O último triunfo foi o 2 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, no interior paulista, em 9 de agosto. Em seguida, a equipe enfileirou sete derrotas consecutivas, seu recorde negativo na era dos pontos corridos, e despencou na tabela, do nono para o 16º lugar.
Demissão de técnico e pressão no Corinthians para clássico
A derrota para o Internacional por 2 a 1 permitiu a aproximação do rival. O Colorado abre o Z4 com 31 pontos, um a menos que o Corinthians. O Alvinegro só não entrou na zona do rebaixamento porque o Grêmio empatou com o Remo por 1 a 1, em Belém, e ficou com 30 pontos. Com isso, o Timão vai para o Dérbi precisando vencer após dois meses ou terá que contar com um empate no GreNal que acontece na mesma data, na Arena do Grêmio.
Após o clássico, o Corinthians terá quatro jogos em casa e quatro fora para decidir a permanência na elite. Sete partidas serão confrontos diretos contra equipes que estão na segunda parte da tabela: Vitória, Vasco, Mirassol, Botafogo, São Paulo, Grêmio e Remo. Diante disso, o clube decidiu demitir o técnico Fernando Diniz atrás de "um fato novo", nas palavras do executivo Marcelo Paz.
"Uma decisão precisava ser tomada, precisamos de um fato novo, precisamos voltar a pontuar, ser protagonistas dentro de casa. Infelizmente, não vinha acontecendo. Demissão minha com o presidente", justificou o dirigente.
Série inédita de derrotas nos pontos corridos "engrossa o caldo"
O Corinthians nunca havia perdido tantas partidas em sequência na era dos pontos corridos do Brasileirão, iniciada em 2003. Com quatro títulos nacionais no período (2005, 2011, 2015 e 2017), a pior série de reveses havia acontecido em 2006, ano anterior ao do rebaixamento, com seis derrotas consecutivas sob o comando de Geninho.
Agora, são sete, quatro em casa (Cruzeiro, Chapecoense, Santos e Fluminense) e três como visitante (Coritiba, Flamengo e Internacional). Não à toa, o time é o lanterna do returno com cinco pontos em dez jogos.
Nesses sete jogos, o Corinthians sofreu 14 gols (média de 2 por jogo) e marcou apenas seis. Nos 22 duelos anteriores - somados os períodos com Dorival Jr. e Fernando Diniz -, a equipe era bem mais sólida defensivamente, com média de 0,91. Assim, a primeira providência de quem assumir o comando da equipe será conter essa vulnerabilidade atrás. Ademais, na frente o retorno de Yuri Alberto dá expectativa de fazer subir a eficiência ofensiva.
No período sem o camisa 9, Diniz recorreu aos substitutos imediatos Pedro Raul e Gui Negão sem êxito - juntos, eles marcaram apenas dois gols. Por isso, utilizou Memphis Depay mais adiantado. Porém, o holandês passou em branco e não balança a rede desde 15 de março. O artilheiro da equipe na série negativa é o zagueiro Gustavo Henrique, com dois gols, o que dá a medida da situação. Matheus Bidu e André fizeram os outros.
Desfalques no clássico e retrospecto animador
Contra o Palmeiras, o Corinthians terá dois desfalques importantes. O meia Rodrigo Garro e o atacante Kaio César receberam o terceiro cartão amarelo e não irá jogar no Nubank Parque. Após o Dérbi, o novo treinador do clube terá uma semana para trabalhar. Afinal, o duelo contra o Vitória, pela 31ª rodada, está marcada para o dia 19, a outra segunda-feira, na Neo Química Arena.
O Corinthians venceu dois dos últimos quatro clássicos que fez contra o Palmeiras fora de casa. O último fez parte da campanha do título da Copa do Brasil de 2025. Além disso, o Timão é o visitante com mais triunfos na casa palmeiras, com seis vitórias. Por isso, os números, associados à troca no comando, podem ser combustível para o início de uma reação que evite o segundo rebaixamento corintiano.
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