“Batuque na cozinha, a Sinhá não quer. Por causa do batuque, queimei
meu pé”. Relembro a letra de um tradicional samba, que serve para
ilustrar a atual situação do futebol brasileiro. Será possível? Claro que é.
Hoje ouvi o novo ministro de esportes, Caio de Carvalho, que também atende pelo singelo apelido de “Caíto”, para os mais chegados, é claro,
falando para uma emissora de rádio. Uma dessas rádios oficiais, que só tocam música clássica e apresentam entrevistas às vezes encomendadas.
Mas vamos ao
que interessa: “Caíto”, ou, desculpem (não sou chegado), o
senhor ministro, ao falar de futebol disse: “nessa cozinha eu não
entro”. Naturalmente, Carvalho não deve gostar de batuque, nem quer
machucar o pé. Caio de Carvalho continuou sua análise afirmando não admitir que agora venham dizer que o problema do futebol brasileiro é do governo federal.
Ora, meu Deus do céu. Se depois das duas CPIs os políticos não
tiveram coragem de elaborar a medida provisória para moralizar o futebol,
quem, então, é o responsável? Se o governo mandou seu ex-ministro de
Esportes Carlos Melles trocar abraços e afagos com Pelé, Ricardo Teixeira, Havelange etc e tal, prometendo moralização, calendário e uma nova fase, nada disso aconteceu, de quem é a culpa? Da mãe Joana?
E agora vem a história desse grupo de pessoas, que se intitula “defensores do futebol brasileiro”. Ora, que conversa fiada. Quer dizer então que a partir de hoje teremos estacionamentos organizados, banheiros limpos, cadeiras numeradas respeitadas, segurança contra torcedores vândalos, jogos com local e horários cumpridos? E ainda querem que a gente acredite. Se o governo não tem sua parcela de culpa, quem tem? Logo agora vem essa conversa fiada, quando faltam seis meses para terminar o mandato do atual governo, que, aliás, teve oito anos para fazer e não fez. Ah, senhor ministro, por falar em cozinha, é bom lembrar: fim de mandato, cafezinho vem frio...