Só falta agora o técnico do Corinthians adotar o nobre sotaque paulistano da Móoca: “Orra, meu. O Coringão tá jogando pacas!”. Porque as outras arestas ele já aparou. Cortou as gorduras.
Quando Parreira chegou no Parque São Jorge, escrevi aqui que tinha sérias dúvidas se ele seria capaz de emplacar no Timão. Em território brasileiro, Carlos Alberto vinha de insignificantes passagens pelo Atlético Mineiro, São Paulo e Santos. Jamais conseguiu sucesso no Brasil. Até o famoso título conseguido no Fluminense, acho que em 1984, foi uma rica herança recebida do técnico Carbone, que montou e dirigiu aquele time.
Parreira chegou no final, me parece que jogou seis pontos, ganhou a metade e foi campeão. Isso é o passado. Deve sempre ser lembrado porque como dizia Cícero, o ilustre tribuno romano, “a história é a mestra da vida”.
Parreira tem todo o direito de curtir o momento vitorioso que vive no Corinthians. Recebeu um time desgastado, mas montado por Luxemburgo. A escalação é quase a mesma; estão aí Deivid, Leandro, Gil, Kleber, Rogério na lateral. Não veio ninguém indicado por Parreira. Fabinho e Renato indicados pelo ex-treinador são reservas de luxo.
que Parreira fez com muita competência foi dar novo brilho a um time que estava opaco quando Luxemburgo saiu. Aí está o seu mérito. Hoje, o Corinthians é um time confiante, primoroso no toque de bola. Mesmo que Parreira não adote o sotaque paulista os corintianos vão aceitar o seus “erres” carregados. Se for inteligente, “o professor” vai curtir as maravilhas dessa paulicéia desvairada, cuja metade é povoada por corintianos.
Jogando na retranca, Parreira foi campeão do mundo. Imaginem se naquela época ele já tivesse sido ungido pelo mágico toque corintiano e tivesse colocado a Seleção no ataque. Teria sido campeão do mundo com muito mais brilho.