'Isso não é o Vasco. Não há quebra de acordo': Textor dispara em meio a embate no Botafogo
Dono da SAF rebate críticas internas, enquanto clube vive tensão política e problemas financeiros
O nome de John Textor dominou a reunião do Conselho Deliberativo do Botafogo realizada nesta segunda-feira, 30, marcada pela aprovação das contas do clube. Em meio ao cenário de instabilidade, o empresário norte-americano se posicionou publicamente e negou qualquer descumprimento de acordo na gestão da SAF.
De acordo com apuração da ESPN, o ambiente interno no Botafogo está cada vez mais dividido. A maioria dos conselheiros presentes já não vê com bons olhos a continuidade de Textor à frente do clube. Ainda segundo o veículo, o clube associativo não cogita retomar o controle do futebol e trabalha na busca por alternativas para o futuro da SAF, incluindo novos investidores.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que já existem propostas, tanto nacionais quanto internacionais, consideradas positivas nos bastidores. Ao mesmo tempo, o clima para a permanência de Textor é descrito como cada vez mais desfavorável, embora o presidente do clube social, João Paulo Magalhães, mantenha contato frequente com o empresário. A expectativa é que decisões importantes sejam tomadas dentro de um prazo de até 30 dias.
Em resposta à ESPN, Textor rejeitou a ideia de quebra de acordo e reforçou a legitimidade de sua gestão.
"Isto não é o Vasco. Não há quebra de acordo. O dinheiro entra e sai o tempo todo, no curso normal da gestão de um clube de futebol, e nossa empresa tem o direito de tomar decisões de gestão de caixa que funcionaram bem o suficiente para nos levar a conquistar dois campeonatos", iniciou.
O empresário também destacou que, segundo ele, a SAF está em conformidade com o contrato firmado.
"Além disso, nosso comunicado público anterior deixa claro que aportamos mais recursos do que jamais foi exigido pelo nosso acordo de SAF, e isso foi feito antes do prazo. Como estamos em total conformidade com o nosso acordo, e nunca fomos notificados pelo clube social sobre suas alegações de descumprimento, não esperamos nenhuma ação por parte do clube social e esperamos que eles retornem a um papel de acionista apoiador", seguiu.
Textor ainda criticou membros do clube associativo por, segundo ele, dificultarem a captação de recursos.
"Enquanto isso, certos membros do clube social continuam a nos criticar na imprensa por não termos dinheiro suficiente, mas seguem se recusando a assinar documentos que nos permitiriam trazer financiamento saudável. Mais grave ainda, eles claramente recorreram à Justiça para bloquear receitas de transferências que estavam por entrar, mesmo que esses acordos tenham sido estruturados para manter os jogadores conosco por um período prolongado. Como podem bloquear 34 milhões em receitas e depois reclamar que não temos dinheiro suficiente?", questionou.
Mesmo com o cenário tenso, o dono da SAF afirmou acreditar em apoio interno e prometeu tentar reverter a percepção negativa.
"Acredito, sim, que temos muitos apoiadores dentro do clube social, apesar do que certos líderes sugerem. Por isso, tentarei esclarecer a situação para o restante do clube social nos próximos dias e semanas. Tenho certeza de que essas grandes reuniões do conselho começarão a mudar suas opiniões assim que tiverem informações melhores."
"Eles dizem que vão esperar 30 dias… Para quê? Por que esperar? Eles deveriam assinar os documentos de que precisamos para trazer capital. Neste momento, o clube social faz parte do problema. Eles deveriam fazer parte da solução", completou.
Crise também atinge o campo e as finanças
Além da turbulência política, o Botafogo atravessa um momento delicado fora das quatro linhas. Segundo informações do jornal O Globo, o clube enfrenta atrasos no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores pelo segundo mês em 2026.
Os salários registrados em carteira seguem em dia, mas os valores referentes à exploração de imagem, que deveriam ter sido quitados no fim de março, ainda não foram pagos. O FGTS do elenco principal também apresenta irregularidades.
Esse tipo de atraso pode gerar consequências jurídicas importantes. Caso os pagamentos não sejam regularizados por um período mínimo de três meses, os atletas podem solicitar rescisão indireta na Justiça. No início do ano, o volante Danilo chegou a cogitar essa possibilidade devido a pendências trabalhistas.
Além das questões financeiras, o Botafogo está sem técnico há mais de uma semana e figura na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.