Botafogo vive crise entre associativo e Textor com acusação de fraude e briga na Justiça; entenda
Clube social cobra transparência da SAF, questiona aportes e leva conflito com o empresário para arbitragem
O ambiente político do Botafogo vive mais um momento de instabilidade. O clube associativo intensificou o embate com a SAF liderada por John Textor e prepara medidas judiciais para obter acesso a informações internas da gestão do futebol.
De acordo com apuração do ge, a insatisfação gira, principalmente, em torno da falta de transparência na condução administrativa e financeira da SAF. Dirigentes do associativo avaliam que cláusulas previstas no acordo de venda podem não ter sido cumpridas, o que levanta dúvidas sobre a execução do projeto.
Ainda segundo o portal, nos bastidores, o clube social já formalizou pedidos de esclarecimento em diferentes ocasiões. Ao todo, foram encaminhadas três notificações exigindo acesso a documentos, especialmente ligados a movimentações financeiras.
Detentor de 10% das ações da SAF, o associativo entende que tem a prerrogativa de fiscalizar a operação. Esse papel, inclusive, está previsto no acordo entre as partes, o que reforça a cobrança por maior abertura de dados.
Uma das situações recentes que geraram questionamentos envolveu a busca por recursos para quitar pendências relacionadas à contratação de jogadores — episódio que resultou em sanções esportivas ao clube. Na ocasião, houve interlocução com o mercado financeiro para detalhar a origem dos valores e a estrutura das operações.
Venda da SAF e destino dos aportes entram no debate
Outro ponto sensível diz respeito ao cumprimento do investimento acordado na criação da SAF. O contrato previa um aporte total de R$ 400 milhões, mas parte do associativo entende que os valores não permaneceram integralmente no clube.
Há questionamentos sobre a transferência de cerca de R$ 100 milhões para o Lyon, também ligado ao grupo de Textor. Para integrantes do associativo, a movimentação levanta dúvidas sobre o destino efetivo dos recursos e alimenta suspeitas de irregularidade na operação.
Sob essa ótica, alguns conselheiros defendem que o modelo adotado teria comprometido o objetivo inicial do investimento. A leitura, no entanto, é rebatida pela SAF.
SAF contesta acusações e fala em distorção de informações
Em posicionamento oficial, o Botafogo afirmou que os aportes exigidos foram realizados, inclusive antes do prazo estipulado. A gestão também destacou que os investimentos superaram as metas mínimas previstas no acordo, tanto no futebol quanto na estrutura geral.
A SAF ainda criticou reportagens recentes, alegando que dados foram apresentados de forma incompleta ou fora de contexto. Segundo o clube-empresa, houve omissão de informações relevantes, como valores adicionais transferidos ao Botafogo pelo grupo controlador.
Sobre decisões administrativas, como a concentração de poderes após mudanças internas, a SAF sustenta que as medidas seguiram procedimentos legais e ocorreram dentro da normalidade corporativa.
Conflito avança para arbitragem
O embate entre associativo e SAF não é novo, mas ganhou novos contornos com a escalada das acusações. A possibilidade de afastamento de Textor chegou a ser debatida internamente, embora seja tratada com cautela diante das implicações jurídicas.
Parte da disputa será analisada em arbitragem, mecanismo previsto em contrato. O processo deve ocorrer com mediação da Fundação Getulio Vargas, que atuará na resolução do conflito fora da Justiça comum.
Veja a nota do Botafogo na íntegra:
"No dia a dia da SAF Botafogo como empresa, e dadas as questões de confidencialidade envolvidas, é impossível responder a todas as notícias que surgem. Mas chama a atenção a forma como parte da imprensa tradicional está veiculando em grande volume informações incorretas que necessitam de imediata reparação. É um exercício nada complexo saber quem é a fonte da desinformação e os seus reais interesses. Tais ataques prejudicam diretamente o Botafogo, sua reputação global e os projetos esportivos e corporativos.
Consideramos importante responder a cada uma dessas notícias. Seguem abaixo:
1) 24 de março de 2026
"John Textor repassou R$ 110 milhões de aporte obrigatório para compra da SAF do Botafogo ao Lyon". Especialistas independentes avaliam se operação pode ter resultado em quebra do acordo de acionistas.
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/esportes/futebol/botafogo/noticia/2026/03/24/john-textor-repassou-r-110-milhoes-de-aporte-obrigatorio-para-compra-da-saf-do-botafogo-ao-lyon.ghtml
- A fonte do Jornal O Globo registrou o envio de R$ 110 milhões do Botafogo ao Lyon, mas foi leviana ao não informar que, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Grupo Eagle transferiu mais de R$ 233,7 milhões (€38 milhões) ao Botafogo.
- A reportagem preferiu fazer valer a informação da "fonte" - sempre oculta, anônima, nunca revelada. Mesmo ciente de que houve novos aportes, a informação foi ignorada. Fica clara a intenção de passar a imagem de que havia "algo suspeito".
- Quanto à afirmação de que "a SAF pode não ter cumprido o Acordo de Acionistas": o Acordo prevê aporte de 400 milhões de reais, orçamento mínimo anual do futebol de 100 milhões e orçamento geral mínimo de 200 milhões. A contribuição total exigida foi depositada antecipadamente, desde maio de 2024, quase um ano antes do prazo previsto.
? Em 2025, o orçamento anual geral cumpriu mais de 5 vezes a meta mínima, e o do futebol, mais de 3 vezes.
? Grandes investimentos em ativos fizeram o valor do elenco (valuation) saltar para cerca de 750 milhões de reais, estimam os sites especializados mais conservadores. A SAF foi muito além e apresentou investimentos significativamente superiores em todos os quesitos.
- Não custa lembrar a reportagem de fevereiro de 2021, que relatava que o Botafogo não tinha sequer bolas para treinar, segundo um ex-dirigente. Hoje, a SAF possui uma das melhores infraestruturas de treinamento, jogo e corporativa do Brasil.
2) 23 de março de 2026
"Textor deu poderes a si para representar 'isoladamente' SAF do Botafogo em empréstimo"
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/03/textor-deu-poderes-a-si-para-representar-isoladamente-saf-do-botafogo-em-emprestimo.ghtml
- Uma ata pública de poucas páginas, registrada e divulgada entre os poderes do clube, foi tirada de contexto com o único intuito de causar desinformação.
- Textor não deu poderes para si mesmo. É uma questão natural: o antigo CEO, Thairo Arruda, renunciou ao cargo. Como os dois eram os únicos diretores estatutários, é natural que Textor permanecesse como o único tomador de decisão.
- "Textor elegeu a aplicação da lei suíça para toda receita relacionada com transferências de atletas da equipe profissional do Botafogo", diz a reportagem.
? A escolha da Suíça é natural e foi uma exigência do novo credor: é onde está sediada a FIFA, entidade máxima do futebol, e onde disputas relacionadas ao futebol são resolvidas.
- "Foi concedida uma procuração à credora (GDA Luma) para praticar todos os atos em nome da SAF", diz a reportagem.
? Isso não procede. O que ocorreu foi o reconhecimento das garantias à credora caso o empréstimo não fosse pago - uma "procuração com finalidade específica" é uma prática padrão em qualquer transação bancária dessa natureza.
- "Dívida estimada em R$ 3 bilhões" ? esse montante não procede. Em 2021, a receita do Clube Social, antes da SAF, era de 118 milhões para uma dívida de 1,2 bilhão (relação de 1 para 10, absolutamente crítica).
? A SAF, por sua vez, está em um patamar de endividamento mais saudável, atualmente em 1-2 vezes a sua receita.
? O valor atual da dívida está sendo calculado e será publicado na próxima edição do balanço, mas seguramente é cerca de metade do montante informado.
? A maior parte da "dívida" são pagamentos a vencer de investimentos realizados na contratação de ativos (jogadores), que ainda vão render frutos no futuro.
? A dívida relacionada aos jogadores é muito diferente da dívida herdada do Clube Social e deve ser comparada ao valor atual do elenco. Em 2022, o Clube Social entregou à SAF um elenco sem valor econômico significativo. Hoje, o elenco e os jogadores da base do Botafogo valem mais de R$ 1,2 bilhão.
? O passivo herdado do Clube Social foi reduzido pela SAF em R$ 600 milhões.
? O Acordo de Acionistas estabelece limitação no nível de endividamento. A SAF está dentro dos parâmetros exigidos e sempre apresentou tais resultados aos acionistas (Eagle e Clube Social), sem questionamentos sobre este limite.
3) 20 de março de 2026
"As operações entre Botafogo e Lyon envolvendo Luiz Henrique, Almada e cia. que revelam o 'modo Textor' nas finanças"
Link da reportagem: https://oglobo.globo.com/esportes/futebol/botafogo/noticia/2026/03/20/as-operacoes-entre-botafogo-e-lyon-envolvendo-luiz-henrique-almada-e-cia-que-revelam-o-modo-textor-nas-financas.ghtml
- Apesar do que sugere a reportagem, nas relações de compartilhamento de fluxo de caixa, a SAF Botafogo, o OL e o RWDM jamais cometeram qualquer irregularidade.
- Trata-se de mais uma reportagem com informações internas vazadas com o intuito de gerar confusão e desinformação.
- Em diversas entrevistas, Textor já abordou o tema e explicou os benefícios do fluxo de caixa compartilhado, assim como tornou público o valor que a SAF Botafogo aguarda receber do OL.
- O Botafogo já acionou a Eagle e vai acionar o OL na Justiça para ressarcimento dos valores que lhe são devidos.
- Luiz Henrique, Thiago Almada, Igor Jesus e outros atletas foram recrutados unicamente por este 'Modelo Textor' e agora temos campeonatos para comprovar isso. Este modelo funciona.
- Os problemas financeiros atuais não foram causados ??por este modelo de negócios único. Eles foram causados ??pela interrupção intencional deste modelo.
- O Botafogo iniciará em breve um processo judicial contra o OL e os indivíduos que interromperam o modelo de negócios da Eagle para recuperar os valores devidos.
Completamos, neste mês de março, 4 anos de SAF. Muitas situações não ocorreram como planejávamos, outras foram ainda melhor do que a gente poderia imaginar. Sabemos da nossa responsabilidade e seguiremos trabalhando por um Botafogo protagonista, com o sentimento de que precisamos de um Clube unido para que tudo isso reflita em um futebol forte e campeão."