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Diretor do Bahia condena atitude de Willian José em pronunciamento: "Não é o que o Bahia pensa"

O diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, classificou como "erro grave" o vídeo com declarações ofensivas contra nordestinos compartilhado pelo atacante Willian José. O jogador ficou fora da partida contra o São Paulo por decisão institucional. Após publicar uma explicação nas redes sociais, o atleta passou a ser alvo de críticas, enquanto o Ministério Público da Bahia abriu um procedimento para apurar suspeita de xenofobia. O clube ainda não definiu publicamente os próximos passos sobre o caso.

29 out 2026 - 18h39
(atualizado às 18h39)
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Resumo
O atacante Willian José foi afastado do jogo contra o São Paulo pela diretoria do Bahia após compartilhar um vídeo com ofensas preconceituosas à população nordestina. O diretor Cadu Santoro classificou a atitude como "erro grave" e frisou que o ato não reflete os valores do clube. Apesar de o jogador ter se justificado dizendo que pretendia criticar a política local, a repercussão negativa levou o Ministério Público da Bahia a abrir um procedimento para apurar uma possível prática de xenofobia.
Willian Jose do Bahia
Willian Jose do Bahia
Foto: Ricardo Moreira/Getty Images / Esporte News Mundo

O diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, classificou como um "erro grave" o compartilhamento de um vídeo com declarações ofensivas contra a população nordestina pelo atacante Willian José nas redes sociais. O dirigente se pronunciou na quarta-feira (28), antes da partida contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, e confirmou que a ausência do jogador na lista de relacionados foi uma decisão institucional do clube.

A polêmica começou após o centroavante compartilhar, no domingo (25), uma publicação de um influenciador que fazia críticas ao Nordeste. O conteúdo provocou reações negativas entre torcedores e ganhou repercussão nas redes sociais, levando o Bahia a se manifestar publicamente sobre o episódio.

Segundo Cadu Santoro, a decisão de retirar o atacante do confronto contra o São Paulo teve como objetivo permitir que o atleta refletisse sobre a atitude. O dirigente também ressaltou que o conteúdo divulgado não representa os valores da instituição, da comissão técnica ou da diretoria.

O próximo compromisso do Bahia será contra o Cruzeiro, no Mineirão, pela sequência do Campeonato Brasileiro. A presença de Willian José na partida dependerá das decisões da comissão técnica e da diretoria, que ainda não detalharam os próximos passos relacionados ao caso.

Diretoria do Bahia condena publicação

Durante o pronunciamento, Cadu Santoro deixou claro que o clube considerou grave a conduta do jogador e decidiu tomar uma medida imediata diante da repercussão.

"Rogério falou antes do jogo, a gente viu o que aconteceu no domingo. O atleta cometeu um erro grave. Não é o que o Rogério pensa, não é o que o Bahia pensa, não é o que eu penso", afirmou o dirigente.

Santoro acrescentou que a ausência de Willian José foi resultado de uma decisão institucional e destacou a importância de o atacante refletir sobre o episódio.

O jogador não foi relacionado para o confronto contra o São Paulo, disputado na Arena Fonte Nova, em Salvador. Na ocasião, o Bahia venceu por 3 a 2, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Até o pronunciamento, o clube não havia divulgado detalhes sobre eventuais medidas adicionais contra o atleta. O diretor de futebol também não confirmou se a situação poderia provocar mudanças mais duradouras no futuro do centroavante dentro da equipe.

Entenda a polêmica envolvendo Willian José

A controvérsia teve início depois que Willian José compartilhou um vídeo publicado por um influenciador nas redes sociais, após o resultado da eleição presidencial. A gravação continha declarações ofensivas contra os nordestinos e comentários que associavam a população da região ao recebimento de benefícios sociais.

A publicação gerou críticas de torcedores e de pessoas ligadas ao futebol, especialmente pelo teor das declarações contra uma região da qual o próprio jogador faz parte. Natural de Alagoas, Willian José construiu parte de sua trajetória profissional longe de seu estado de origem, mas atualmente defende o Bahia, clube sediado em Salvador.

Diante da repercussão, o atacante publicou uma explicação nas redes sociais. Ele afirmou que sua intenção era chamar a atenção para a atuação dos políticos e defender melhorias em áreas como educação, saúde, segurança e qualidade de vida.

"Sou nordestino e moro no Nordeste! Minha família é nordestina. Sei o que nosso povo passa e o quanto luta", escreveu o jogador ao comentar o caso.

Na manifestação, Willian José também afirmou que sua crítica era direcionada à atuação dos governantes e às escolhas eleitorais. A explicação, entretanto, não impediu a continuidade das críticas nem a decisão do Bahia de deixá-lo fora da partida contra o São Paulo.

Bahia reforça compromisso com a população nordestina

Antes do pronunciamento de Cadu Santoro, o Bahia já havia divulgado uma nota pública sobre o episódio. Sem citar diretamente o nome do atacante, o clube repudiou manifestações de ódio, xenofobia e preconceito e reafirmou seu compromisso com a defesa da população, da cultura e da identidade nordestinas.

A instituição destacou que o conteúdo compartilhado pelo atleta não representa seus valores e reforçou que o respeito à diversidade e à dignidade das pessoas é um princípio fundamental do clube.

A manifestação ganhou importância diante da identidade regional do Bahia, que mantém uma relação histórica com a população nordestina e utiliza essa ligação como parte de sua representação institucional.

O caso também provocou manifestações de integrantes do futebol feminino do clube. A goleira Yanne Lopes, por exemplo, publicou uma mensagem em defesa do Nordeste e contestou generalizações sobre os moradores da região e o acesso a benefícios sociais.

A repercussão ultrapassou, assim, o ambiente esportivo e ampliou o debate sobre preconceito regional e responsabilidade de figuras públicas nas redes sociais.

Ministério Público da Bahia apura suspeita de xenofobia

O episódio também passou a ser analisado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que instaurou um procedimento para apurar uma possível prática de xenofobia relacionada à publicação compartilhada pelo jogador.

A apuração está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. O procedimento deverá avaliar o conteúdo divulgado e verificar se existem elementos que justifiquem medidas posteriores.

A abertura da investigação não significa que tenha havido confirmação de crime. Nesta etapa, o órgão reúne informações para analisar o caso e decidir sobre os próximos encaminhamentos.

Até o momento do pronunciamento da diretoria, não havia sido divulgado um prazo para a conclusão da apuração. O caso segue sujeito à análise das autoridades competentes, independentemente das medidas internas adotadas pelo Bahia.

Esporte News Mundo
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