10 acontecimentos que marcaram o setor automotivo em 2025
De tarifaço até novo campeão da Fórmula 1, confira alguns dos fatos mais importantes do segmento no ano
Estamos naquele período de resoluções. Todo mundo já definindo metas e dando atenção para as promessas. "Em 2026 as coisas vão ser diferentes", muitos afirmam. Só que 2025 ainda não acabou. Falta pouco, mas ainda temos alguns quilômetros a percorrer no ano.
No entanto, já dá para fechar o caixa no nosso segmento. A não ser que algo absolutamente fora da curva aconteça, o setor automotivo já viveu o que tinha de viver em 2025.
E é aí que esta lista, outro dos clichês de fim ano, entra. Jornal do Carro preparou uma retrospectiva com os principais acontecimentos do setor automotivo em 2025. Tem desde o tarifaço de Donald Trump até um novo campeão na Fórmula 1.
Lista diversificada, não? Confira, abaixo, alguns dos fatos mais relevantes do setor em 2025:
1- Tarifaço de Donald Trump
A política comercial voltou ao centro da indústria automotiva global em 2025 com o endurecimento tarifário defendido por Donald Trump durante sua campanha e, posteriormente, formalizado em medidas protecionistas.
O foco principal foi a indústria chinesa, especialmente veículos elétricos, baterias e autopeças. As taxas mais elevadas alteraram imediatamente o fluxo global de exportações e pressionaram montadoras com operação internacionalizada.
O impacto não se restringiu ao eixo EUA-China. Fabricantes europeus e de outros países da Ásia passaram a reavaliar rotas de exportação e investimentos futuros. Além disso, o custo logístico e tributário tornou inviável manter alguns modelos competitivos fora de seus mercados de origem.
Para países como o Brasil, o tarifaço teve efeito indireto relevante. Ao elevar o risco geopolítico e comercial, o protecionismo reacendeu o interesse por bases produtivas alternativas, especialmente em mercados com escala, matriz energética relativamente limpa e capacidade instalada ociosa.
No quesito aço e alumínio nosso mercado acabou sendo atingido. "Passamos a ter uma invasão de metais em geral chineses no Brasil e isso causou um efeito negativo em nossa indústria. No mercado em si não houve alterações tão grandes", salienta Milad Kalume Neto, da consultoria K-Lume.
2 - Acordo entre Renault e Geely
A parceria entre Renault e Geely ganhou contornos relevantes no Brasil em 2025. A união entre uma montadora com presença histórica e infraestrutura instalada e um grupo chinês com domínio tecnológico e escala global criou um modelo híbrido de cooperação com forte potencial local.
Em 2025, marcas chinesas avançaram para a produção local. BYD e GWM iniciaram, ainda que com atrasos, operações industriais. Outras empresas confirmaram cronogramas concretos, impulsionadas por políticas de incentivo, exigências regulatórias e pela necessidade de reduzir custos logísticos e cambiais.
O ano de 2025 marcou a quebra de um ciclo dominante e a consagração de um novo campeão na Fórmula 1. Lando Norris, da McLaren, destronou Max Verstappen, da Red Bull, naquela que foi a melhor temporada da categoria desde 2021.
Sob o prisma esportivo e técnico, o campeonato evidenciou o nível de convergência das equipes sob o atual regulamento. As diferenças de desempenho diminuíram, as disputas se tornaram mais próximas e a gestão de pneus, energia elétrica e estratégia ganhou ainda mais peso. Norris e McLaren se destacaram justamente pela capacidade de extrair performance em cenários variados, transformando regularidade em vantagem competitiva ao longo da temporada.
A Volkswagen fechou sua fábrica de Dresden, na Alemanha, em um movimento inédito em 88 anos. O anúncio foi um dos sinais mais claros da perda de competitividade industrial europeia.
A decisão evidenciou a dificuldade de transição simultânea para eletrificação, digitalização e neutralidade de carbono. A indústria alemã, historicamente eficiente, mostrou limitações diante da velocidade chinesa e da flexibilidade produtiva de outros mercados.
O impacto simbólico foi profundo. O país que construiu sua identidade em torno do automóvel viu um de seus maiores ícones recuar. O episódio reforçou a ideia de que a geografia industrial do setor pode mudar.
10- Pace, a 'Nordex brasileira'
A Planta Automotiva do Ceará (Pace) consolidou-se em 2025 como um dos projetos industriais mais singulares do setor automotivo brasileiro. Instalada na antiga fábrica da Troller, em Horizonte (CE), a iniciativa gerida pela Comexport aposta em um modelo multimarcas similar ao da Nordex, no Uruguai, rompendo com o conceito tradicional de plantas dedicadas a um único fabricante.
Operando inicialmente nos regimes SKD e com planos de evolução para CKD, a Pace iniciou suas atividades com a montagem do Chevrolet Spark EUV. A estratégia permitiu acelerar o início das operações, reduzir investimentos iniciais e viabilizar a produção local de veículos eletrificados em um contexto de alta complexidade tecnológica e regulatória. O modelo também oferece flexibilidade para incorporar novas marcas e produtos ao longo do tempo.
Além da reativação de uma planta industrial ociosa, a Pace contribui para a geração de empregos e para o fortalecimento da cadeia automotiva no Nordeste. Com incentivos fiscais, investimentos em infraestrutura e foco em eletromobilidade, a Planta Automotiva do Ceará torna-se um exemplo de como novos formatos industriais podem reposicionar o Brasil no mapa da produção automotiva global.