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Nelson Piquet mantém perfil controverso com declarações polêmicas; relembre episódios

Tricampeão mundial da Fórmula 1 é conhecido por comportamento complicado, desavenças e falas fora do tom

1 jul 2022 - 17h04
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A fala de Nelson Piquet ao se referir a Lewis Hamilton com um termo racista foi mais um episódio controverso na carreira do tricampeão da Fórmula 1. Talentoso nas pistas, o ex-piloto sempre foi dono de declarações bastante polêmicas e de muitas desavenças. Seu comportamento criticado em vários momentos ofuscou muitas vezes os holofotes do seu histórico vencedor no automobilismo.

"Na minha primeira entrevista eu me lembro que perguntaram 'você dedica esse título para quem?'. Eu dedico para mim mesmo. Eu que ganhei, p****. Vou dedicar para quem?", disse em uma entrevista ao documentário A Era dos Campeões.

As seguidas alfinetadas direcionadas a Ayrton Senna foram uma constante ao longo dos anos. A diferença de perfil entre Senna e Piquet sempre foi evidente. Ambos pilotos deixavam claro em entrevistas que eram muito diferentes, sendo apenas colegas de trabalho e que não tinham relacionamento pessoal. Em uma entrevista ao programa Linha de Chegada, do canalSportv, em 2013, Piquet contou que foi questionado por um jornalista sobre quem era o melhor piloto entre os dois. A resposta? "Eu estou vivo (risos)", disse.

Em entrevista ao programa Caldeirão do Huck, da TV Globo, Piquet contou que, na sua visão, Senna não era uma pessoa transparente . "O Ayrton era duas pessoas diferentes. O que ele era e o que parecia ser. Todo mundo que trabalhou com ele sabe disso. Ele parecia bondoso, tinha uma relação maravilhosa com todos. Não era assim. Era um cara difícil, mas não parecia. Eu não, sou muito transparente".

Críticas sobre a competência de Senna também surgiram. "Ayrton nunca soube acertar um carro. Ele sempre pegou os carros que o Prost fez. Quando ele se viu sozinho na Williams, ele passou um aperto muito grande. Não conseguia fazer o carro ficar bom. O carro era isso, era aquilo", comentou Piquet no filme A Era dos Campeões.

Ao canal no Youtube de Júnior Coimbra, filho do ex-jogador Zico, comentou sobre a rivalidade com Senna e as insinuações de que o adversário era gay. "O Senna passou quase três anos sem nenhuma namorada, tinha um cara que vivia do lado dele...". Incomodado, Senna moveu, à época, uma ação judicial contra Piquet.

Outros pilotos também sofreram com as falas polêmicas do ex-piloto brasileiro. Questionado no programa da jornalista Marília Gabriela em 1994 sobre sua ausência no funeral de Ayrton Senna, o brasileiro direcionou críticas a Alain Prost. "Eu vi muita política no meio. Eu, pessoalmente, não fui porque não suporto funeral, vou no máximo nos da minha família. Eu não tenho 'cara' de fazer como o Prost fez. Brigou até o último dia com o Senna, escreveu um livro falando mil coisas e vai no funeral para dizer que perdeu a sua referência. Eu vou aparecer lá para quê? Para mostrar que estou indo no enterro?".

No GP do Brasil de 2014, Piquet fez uma pergunta indelicada a Hamilton sobre sua então namorada. O piloto inglês estava visivelmente desconfortável com a abordagem do brasileiro.

O perfil "ama ou odeia" de Piquet, que se identifica como alguém autêntico e espontâneo, encontrou um semelhante na política. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, o tricampeão da Fórmula 1 defende suas principais bandeiras, como críticas à atuação da imprensa, e chegou a participar de vários eventos com o chefe do executivo. Piquet dirigiu o Rolls-Royce presidencial no dia 7 de setembro em 2021 e levou Bolsonaro e a primeira-dama Michelle para um passeio em Brasília. O ex-piloto também concedeu entrevista ao canal do deputado federal Eduardo Bolsonaro no Youtube em que compartilhou seus valores com os da família do presidente da República.

Fala racista de Piquet a Lewis Hamilton teve repercussão mundial

Nesta semana, Nelson Piquet foi flagrado usando um termo racista para se referir a Lewis Hamilton, em um vídeo de 2021 que circulou nas redes sociais e ganhou repercussão no final de semana. É possível ouvir o ex-piloto chamando o heptacampeão de "neguinho" ao comentar um acidente envolvendo o inglês e Max Verstappen durante o Grande Prêmio de Silverstone, na Inglaterra.

"O neguinho meteu o carro de não deixou (Verstappen desviar). O neguinho deixou o carro porque não tinha como passar dois carros naquela curva. Ele fez de sacanagem. A sorte dele foi que só o outro se f*deu. Fez uma p*ta sacanagem", criticou Piquet, em entrevista ao jornalista Ricardo Oliveira.

Nelson Piquet divulgou uma nota oficial na quarta-feira, com um pedido de desculpas a Lewis Hamilton, porém, citou um equívoco na tradução do termo, alegando que a palavra é usada coloquialmente no Brasil, minimizando o caso e suas declarações de cunho racista.

"O que eu disse foi mal pensado, e não defendo isso, mas vou esclarecer que o termo usado é aquele que tem sido amplamente e historicamente usado coloquialmente no português brasileiro como sinônimo de 'cara' ou 'pessoa' e foi nunca teve a intenção de ofender. Eu nunca usaria a palavra da qual fui acusado em algumas traduções. Condeno veementemente qualquer sugestão de que a palavra tenha sido usada por mim com o objetivo de menosprezar um piloto por causa de sua cor de pele. Peço desculpas de todo o coração a todos que foram afetados, incluindo Lewis, que é um piloto incrível, mas a tradução em algumas mídias que agora circulam nas redes sociais não está correta", diz um trecho da nota.

Escrevendo em português, Hamilton respondeu sobre o caso nas redes sociais e pediu foco em "mudar a mentalidade", clamando em seguida pelo fim de atitudes e comentários do tipo no automobilismo. "Vamos focar em mudar a mentalidade", escreveu. "É mais do que linguagem. Essas mentalidades arcaicas precisam mudar e não têm lugar no nosso esporte. Eu fui cercado por essas atitudes e fui alvo delas a minha vida toda. Houve muito tempo para aprender. Chegou a hora da ação."

Segundo a BBC, a categoria teria decidido banir o tricampeão brasileiro do paddock de todas as provas, mas a punição não foi confirmada pela organização.

Na terça-feira, Mercedes, Fórmula 1 e Federação Internacional do Automóvel (FIA) emitiram comunicados condenando o brasileiro tricampeão do mundo e enaltecendo o posicionamento constante do inglês na luta pela diversidade. "Linguagem discriminatória ou racista é inaceitável de qualquer forma e não deve fazer parte da sociedade. Lewis é um embaixador incrível do nosso esporte e merece respeito", diz o comunicado da F-1.

Estadão
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