Há 20 anos, Schumacher dava show sob chuva na China para conquistar sua última vitória épica na F1
Em um cenário improvável, Michael saiu de sexto para a vitória em uma apresentação digna de Schumacher
Michael Schumacher é com certeza um dos maiores pilotos da história da F1. Ele conquistou sete títulos mundiais e bateu recordes em sua época, como o número de vitórias, elevando a marca de 51 para 91. Michael obviamente teve triunfos memoráveis, e o seu último não foi diferente.
Naquela temporada, a Ferrari vinha se recuperando após um ano ruim em 2005, que encerrou uma sequência de cinco títulos de pilotos consecutivos. Schumacher chegou a ter 25 pontos de desvantagem para Fernando Alonso (Renault), o líder do campeonato, após o GP do Canadá. Naquela época, a vitória valia 10 pontos, e o alemão emendou quatro vitórias em seis corridas. Resultado: após o GP da Itália, a vantagem de Alonso era de apenas dois pontos. Foi também nessa prova que Michael anunciou sua aposentadoria da F1, posteriormente retornando em 2010, pela Mercedes.
2006 foi o último ano da guerra dos pneus na F1, com a Bridgestone fornecendo para Ferrari, Williams, Toyota, Super Aguri e MF1, enquanto a Michelin equipava Renault, McLaren, Red Bull, BMW Sauber, Toro Rosso e Honda. Esses pneus tinham uma diferença marcante de desempenho, principalmente na chuva. Em pistas mais molhadas, era comum os franceses terem vantagem, e o cenário da qualificação foi exatamente esse.
Entre os 12 primeiros no grid, Schumacher foi o único com pneus Bridgestone, obtendo apenas a sexta colocação. A primeira fila foi da Renault, com Alonso e Fisichella; a segunda foi da Honda, com Barrichello e Jenson Button; e, à frente de Schumacher, estava Kimi Räikkönen, da McLaren, seu futuro substituto na Ferrari para 2007.
No domingo, a pista estava molhada, mas a chuva não era tão forte. Na largada, Alonso manteve a ponta, enquanto Fisichella serviu de escudeiro. Button e Räikkönen passaram por Barrichello, e Schumacher se manteve em sexto. Kimi ainda conseguiu assumir a terceira posição na primeira curva.
Schumacher começou a imprimir ritmo, mas ficou limitado por Barrichello. Enquanto Fisichella segurava Räikkönen, Alonso tinha a pista livre à frente para desgarrar. A diferença entre o espanhol e seu companheiro na volta 7 era de 7s874. Na volta 8, Schumacher partiu para cima de Barrichello e assumiu a quinta posição. A pista estava secando, o que favorecia a Ferrari, mas o alemão estava a 7s050 de Button (4º) e a 21s701 do líder Alonso.
Na volta 12, Räikkönen passou por Fisichella com a missão de buscar Alonso. Naquele momento, a diferença era de 16s445. Nesta mesma volta, Schumacher alcançou e superou Button, ficando a 6s722 de Fisichella (P3).
Na volta 16, Räikkönen parou, mostrando que estava muito leve. Ao mesmo tempo, Schumacher tirou a diferença e encostou em Fisichella, mas não conseguiu a ultrapassagem. Na volta 18, Räikkönen abandonou com um problema no acelerador.
Na volta 21, Schumacher parou nos boxes e reabasteceu sem trocar os pneus. Fisichella fez o mesmo na volta 23. Alonso parou na volta 22 e trocou apenas os compostos dianteiros. Na volta 24, a vantagem de Alonso era de 10s655 para Fisichella e 12s728 para Schumacher.
A estratégia do espanhol não funcionou. Alonso não conseguiu aquecer os pneus e eles começaram a esfarelar, o chamado graining, perdendo aderência. A Renault havia optado pela troca porque o rendimento no final do primeiro stint já era ruim.
Na volta 28, Fisichella, pressionado por Schumacher, alcançou o companheiro de equipe. O italiano tentou servir de escudeiro para Alonso e as duas Renault chegaram a ficar lado a lado na reta oposta. Pressionado pelo alemão, Fisichella efetuou a ultrapassagem na volta seguinte. Na volta posterior, Schumacher fez uma bela manobra sobre Alonso na curva 2.
Após a dupla superar Alonso, Fisichella conseguiu abrir 2s665 na volta 35. Nas voltas seguintes, porém, Michael voltou a colar no italiano. Na mesma passagem, Alonso fez sua segunda parada para colocar pneus slicks, mas o trabalho de boxes foi ruim e a Renault o fez perder 12 segundos.
Schumacher, apesar da aproximação, não conseguia passar Fisichella na pista. Na volta 40, a Ferrari chamou o alemão para um pit stop de 6,9 segundos e colocou pneus slicks. O ritmo de Schumacher na volta de saída foi voador. Na volta seguinte, foi a vez de Fisichella parar, em um serviço mais rápido (6,6s). O italiano saiu à frente na linha de pit lane, mas Michael colocou dois pneus na zebra e fez uma ultrapassagem espetacular.
A vitória estava praticamente selada. Alonso ainda imprimiu um ritmo forte com o retorno de uma chuva fraca, tirando cerca de 15 segundos de Schumacher até a penúltima volta, mas foi insuficiente. Michael venceu pela 91ª e última vez na carreira, cruzando a linha 3s121 à frente do espanhol. Foi uma atuação magistral do alemão, que, aos 37 anos, provou que ainda poderia ter atuações marcantes.
Com o resultado, Schumacher assumiu a liderança do campeonato, empatado em 116 pontos com Alonso (com vantagem no número de vitórias). Na etapa seguinte, no entanto, no GP do Japão, um estouro de motor custaria praticamente todas as suas chances de título, mas esse é assunto para outro texto.
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