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F1: Wolff comenta pressão sobre motor da Mercedes e aponta possíveis impactos

Toto Wolff sustenta que projeto segue o regulamento, mas reconhece que decisões políticas podem redefinir o cenário técnico da Fórmula 1

11 fev 2026 - 13h07
(atualizado às 13h07)
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Chefe de euipe da mercedes, Toto Wolff, fala sobre a polêmica dos motores
Chefe de euipe da mercedes, Toto Wolff, fala sobre a polêmica dos motores
Foto: Reprodução / Fórmula 1

A disputa técnica pelo domínio dos novos motores da Fórmula 1 em 2026 ganhou um novo capítulo nesta semana. Toto Wolff, diretor da Mercedes AMG Petronas, respondeu publicamente às críticas de outros fabricantes e levantou uma questão crucial sobre o futuro da equipe caso a FIA e a F1 atendam às reclamações dos concorrentes.

O ponto central da controvérsia é a interpretação de um item do regulamento das unidades de potência que trata da taxa de compressão do motor. Enquanto a FIA exige uma razão de compressão de 16:1 em testes estáticos, tanto a Mercedes quanto a Red Bull afirmam que é possível, dentro das regras, que o valor seja maior quando o motor está quente, o que poderia gerar alguma vantagem de desempenho. Diversos rivais, incluindo Ferrari, Audi e Honda, têm solicitado à FIA uma alteração na forma de medir essa regra ou uma clarificação mais rigorosa.

Wolff não apenas defendeu a legalidade do projeto do motor da Mercedes, como também lançou um desafio indireto à abordagem de seus críticos. Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção formal da FIA no processo, ele foi categórico.

"Não se trata apenas das equipes, você precisa dos votos do órgão regulador e do detentor dos direitos comerciais. Se eles decidirem unir forças e compartilhar uma agenda, você está em apuros.”

Apesar do cenário de tensão, Wolff indicou que não pretende levar a questão à esfera judicial caso haja uma decisão desfavorável. O dirigente afirmou que a Mercedes não considera entrar com um processo contra a FIA, reforçando que prefere tratar o tema dentro das instâncias esportivas e regulatórias da própria Fórmula 1.

Wolff explicou que, durante o processo de desenho e desenvolvimento da unidade de potência, a equipe manteve contato constante com a FIA, acreditando ter seguido todas as orientações técnicas. Ele enfatizou que, ao projetar um motor, é crucial manter a FIA informada sobre as decisões tomadas, o que foi feito pela equipe. No entanto, apesar da confiança no trabalho dos engenheiros da Mercedes, Wolff reconheceu a natureza política da Fórmula 1, onde decisões técnicas exigem maioria de votos e podem sofrer mudanças ao longo do caminho.

"Você sabe, este esporte é cheio de surpresas, então nunca há uma situação em que você possa dizer que tem certeza absoluta de algo.”

O dirigente também criticou a postura de parte da concorrência no debate, acusando os rivais de atuarem nos bastidores por meio de um lobby agressivo, com reuniões e comunicações que, segundo ele, tornam o cenário ainda mais delicado.

"Acho que o tipo de lobby feito pelos outros fabricantes de motores aumentou enormemente nos últimos meses. Quero dizer, reuniões secretas, cartas secretas à FIA, embora, obviamente, a esta altura já não exista nada realmente secreto."

Caso a FIA opte por alterar os métodos de fiscalização ou revisar os testes de compressão, a Mercedes poderá se deparar com um dilema: o motor concebido e homologado para 2026 pode não atender aos novos requisitos, gerando incertezas sobre a participação da equipe e de seus clientes, McLaren, Williams e Alpine, no início da temporada na Austrália.

Wolff reforça que a Mercedes sempre se guiou pelo regulamento escrito e pelos procedimentos vigentes, abordagem que, segundo ele, foi confirmada pela própria FIA durante o desenvolvimento do projeto. Ainda assim, reconhece que, em um ambiente onde decisões técnicas podem ser influenciadas por alianças entre rivais e dirigentes, não existem garantias absolutas.

 
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