F1: McLaren defende escolha de pneus no Canadá e nega que estratégia tenha sido "estúpida"
Equipe justificou que a aposta nos pneus intermediários foi prejudicada por atrasos na largada e secagem rápida da pista
Apesar de ter prejudicado drasticamente sua corrida no Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1, a McLaren segue convicta de que largar com pneus intermediários não foi uma decisão equivocada. Segundo Lando Norris, Oscar Piastri e o chefe da equipe, Andrea Stella, a escolha fazia todo o sentido nas condições incertas do clima pré-corrida, mas o time acabou sendo vítima do azar devido aos múltiplos adiamentos na largada, o que permitiu que o asfalto secasse rapidamente.
No grid de largada em Montreal, Lando Norris e Oscar Piastri, que partiam da segunda fila, estavam entre os sete pilotos que decidiram rejeitar os pneus slicks (de pista seca) em meio à ameaça de chuva. Embora logo nas voltas de apresentação a dupla tenha percebido que a decisão poderia não funcionar como o esperado, Norris conseguiu aproveitar a aderência superior da borracha de chuva e assumiu a liderança logo na primeira curva, superando as Mercedes de Kimi Antonelli e do pole position George Russell.
A vantagem, no entanto, durou muito pouco. Piastri foi para os boxes logo no final da primeira volta para trocar para os compostos de pista seca, e Norris o seguiu uma volta depois, momento em que já estava prestes a ser ultrapassado por Antonelli. No desfecho da prova, Piastri cruzou a linha de chegada na 11ª posição, duas voltas atrás do líder, enquanto Norris abandonou após se recuperar até o top 10 por conta de problemas no câmbio.
Apesar do resultado frustrante para as pretensões da equipe britânica, a principal justificativa da McLaren recai sobre o tempo perdido antes das luzes se apagarem. O procedimento de largada original foi abortado devido a um problema no câmbio da Racing Bulls do estreante Arvid Lindblad, o que forçou a direção de prova a realizar não apenas uma, mas duas voltas de apresentação adicionais.
Esses mais de seis minutos extras de atraso foram o ponto de virada para arruinar a tática da equipe. Andrea Stella notou que, durante esse período, o asfalto no pitlane "passou de cinza escuro para cinza claro, parecendo seco", já que a garoa havia parado. Para o chefe da escuderia, se a corrida tivesse começado no horário programado original, os carros com pneus slicks teriam sofrido enormes dificuldades no início, o que validaria a aposta nos intermediários.
Norris ecoou o raciocínio do seu chefe, ressaltando que com apenas um pouco mais de chuva ou garoa a balança teria pendido a favor da McLaren. "Não foi como se tivesse sido uma estupidez estar com aquele pneu. A pista simplesmente estava secando. Eu tinha muito mais aderência e abri dois segundos de vantagem na primeira volta", explicou o britânico. Ele também pontuou que esperava uma alta probabilidade de entrada de um Safety Car nas voltas iniciais para compensar a troca de pneus, cenário que acabou não se concretizando para ajudá-los.
Oscar Piastri revelou que a estratégia foi tomada em conjunto e que não se tratou de um palpite inconsequente. Ele observou que, entre o hino nacional canadense e o momento de entrar no cockpit, a pista parecia ter ficado significativamente mais molhada. "Foi uma escolha de grupo, eu fui uma das pessoas que disse 'sim' aos inters", confessou o australiano, pensando que a rapidez na primeira volta compensaria o esforço.
No fim, as circunstâncias jogaram totalmente contra a aposta que parecia mais segura minutos antes. "Havia muitos pontos positivos que poderiam ter saído disso, mas nenhum deles veio para nós. Fora a largada muito boa e a boa primeira volta, fomos apenas azarados", concluiu Norris.
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