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F1: Interpretando as entrelinhas de Domenicali

Stefano Domenicali deu uma série de declarações esta semana. Mas é importante ele ver o que não disse claramente...

17 mai 2024 - 09h10
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Stefano Domenicali: as entrelinhas falam mais do que as palavras registradas
Stefano Domenicali: as entrelinhas falam mais do que as palavras registradas
Foto: F1

Às vésperas da F1 retornar à Imola, Stefano Domenicali, o todo poderoso CEO da categoria, atendeu a determinados veículos de imprensa e falou sobre diversos assuntos da F1. Tratou de motores, novas regras, provas na Itália...só faltou discutir palpites para o Totocalcio.

Numa dessa, a pauta acaba sendo bem negociada para evitar deslizes. Mas lendo as diversas matérias, o que chama atenção é que ela deve ser encarada como um pronunciamento de político: tem que se prestar atenção mais no que Domenicali não falou no que exatamente foi dito.

O tema que chamou mais a atenção foi o caso de motores “mais barulhentos” para 2030. Domenicali falou que estaria pronto a considerar modificar a configuração no próximo ciclo técnico para ter mais barulho e assim chamar mais a atenção do público.

Este é um ponto que veio com os híbridos e a F1 vem trabalhando bastante ao longo dos últimos anos. Os novos motores, previstos para 2026, devem melhorar neste aspecto, pois o escapamento foi revisado e o MGU-H, que recuperava parte dos gases e do calor, foi retirado.

Mas a fala deixa a entender que as novas unidades não atenderão ao que a F1 esperava. E veio a carta de “se for necessário”, mudar a configuração. O fato é que os fãs são saudosistas dos roncos anteriores. E com a introdução do combustível sintético, o motor à combustão passa a ser menos prejudicial ao meio ambiente.

Só que aqui Domenicali joga para a galera: como explicar para montadoras que tem quase US$ 300 milhões para gastar em desenvolvimento em um período de 3 anos (2022/2025), fora o restante do período, que o trabalho delas já tem data marcada para morrer? Tudo bem, por definição, projeto se define como um esforço despendido para alcançar um objetivo em um determinado período de tempo. Mas a coisa transcende.

A F1 solta rojão de que tem agora 6 marcas interessadas em fornecer motores (já contando com a Cadillac em 2028) para a categoria e faz uma dessa? É um movimento que exige uma grande negociação e é determinante para a sobrevivência do negócio.

A questão da pontuação ampliada também soa como ideia que se jogou ao vento para sondar a receptividade ao público. Inicialmente, se falou em uma expansão até o 12º lugar (hoje os 10 primeiros pontuam). Posteriormente, se pensou até em um modelo americano de todos pontuarem, o que foi categoricamente rechaçado pelos fãs.

A ampliação da pontuação virá. Afinal de contas, os carros abandonam menos e para os negócios, ajuda as equipes a vender patrocínios. E há um ponto que atende uma das demandas da FIA na briga com a F1: dinheiro. Afinal de contas, quanto mais pontos, mais recursos vai para a entidade que regula o automobilismo e que, em última instância, tem as rédeas da F1. Afinal de contas, as equipes pagam suas inscrições com base nos pontos obtidos no campeonato...

E um ponto que tem sacudido tanto o mundo da F1 ficou bem ao largo: o regulamento técnico de 2026. Quase ali no meio de um monte de informações aleatórias, Domenicali confirmou que a FIA divulgará as regras no dia 1º de junho. Aí veremos se os objetivos de um carro menor e mais leve serão realmente atendidos. Não podemos esquecer que o carro atual “engordou” quase 40kg entre a publicação da versão inicial até vésperas da temporada 2022.

Como vemos, as falas de Domenicali foram mais relevantes no que não foram explicitas do que foi realmente publicado.

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