F1: Federação ucraniana apela contra liberação de russos e bielorrussos pela FIA
Entidade contesta decisão, citando impactos da guerra sobre atletas e a segurança nas competições
A federação ucraniana de automobilismo pediu que a FIA reverta a suspensão de restrições de russos e bielorrussos nas competições de automobilismo. O órgão apresentou um recurso oficial à entidade, apelando contra a decisão tomada recentemente, que voltou a permitir a participação desses cidadãos sob suas bandeiras nacionais.
A sentença foi anunciada em carta do departamento jurídico da FIA na última segunda-feira (3) e revogava as medidas tomadas em resposta à invasão russa da Ucrânia, em vigor desde março de 2022. Nunca houve uma proibição definitiva contra pilotos, competidores ou dirigentes da Rússia e da Bielorrússia, e era permitido que eles competissem sob a bandeira da FIA.
O comunicado dizia:
"Pilotos, equipes nacionais, competidores individuais e dirigentes russos e bielorrussos estão autorizados a participar de competições internacionais/regionais sem quaisquer restrições. A exigência de assinar um compromisso de neutralidade deixou de ser aplicável".
A FIA acrescentou que continua a monitorar atentamente os eventos na Ucrânia e mantém a possibilidade de adotar novas medidas no futuro, que incluem ações necessárias para cumprir sanções aplicáveis ou obrigações contratuais. No entanto, a proibição de competições internacionais no território dos dois países ainda permanece em vigor.
Em resposta à decisão de suspender as restrições, a Federação Automobilística da Ucrânia (FAU) expressou discordância em relação à deliberação. O órgão ucraniano apresentou uma apelação ao presidente da FIA e aos membros do WMSC para que revisem e revoguem a suspensão de restrições de símbolos da Federação Russa e da República da Bielorrússia.
No recurso, a FAU afirmou que a “agressão armada” da Rússia contra a Ucrânia continua e que o retorno dos símbolos nacionais dos países agressores contradiz os princípios do jogo limpo, além de criar riscos éticos e de segurança. A federação também acusou a Rússia e a Bielorrússia de usarem o esporte como instrumento de propaganda estatal, defendendo que a política esportiva internacional não seja revista sem considerar o cenário atual da guerra e a posição da Ucrânia.
A Federação Ucraniana de Futebol alegou que mais de 650 atletas e treinadores ucranianos, incluindo representantes do automobilismo, foram mortos na guerra. A entidade também informou ao Ministério da Juventude e do Esporte da Ucrânia sobre a situação e apelou para que o órgão se juntasse à sua manifestação contra a decisão da FIA.
Essa movimentação acontece em meio a uma reaproximação gradual do esporte internacional com atletas russos. Em julho, o Comitê Olímpico Internacional suspendeu provisoriamente a punição ao Comitê Olímpico Russo, sinalizando uma mudança de postura que também começa a repercutir no automobilismo.
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