F1 2026: O mistério por trás das asas idênticas no GP de Miami
Enquanto a Ferrari revelava sua invenção, a Red Bull trabalhou em silêncio para entregar uma versão que pode ser ainda mais eficiente
Com sua própria asa traseira rotativa instalada para o Grande Prêmio de Miami, a Red Bull imediatamente tirou os olhos do paddock à equipe da Formula 1 que inicialmente havia ganhado tanto destaque por ser 'pioneira' da mesma inovação. A Ferrari chamou a atenção nos testes de pré-temporada em fevereiro com uma asa traseira que não apenas abria nas retas, mas girava totalmente a parte superior para criar uma abertura maior e, teoricamente, uma redução de arrasto superior. Foi justamente elogiada como inovadora e criativa. Mas, no fim das contas, não era única.
Como a versão da equipe italiana apareceu há mais de dois meses, gerando apelidos como "Macarena" ou "asa flip-flop", e nada parecido havia sido visto desde então. O surgimento de uma invenção similar pareceu um caso claro de uma equipe se inspirando na outra. No entanto, a ordem em que apareceram foi mera cronologia.
A equipe de Maranello passou muito tempo tentando preparar a peça para as corridas. A asa apareceu nos testes no Bahrain e novamente na China, onde seu uso nas qualificações e nas corridas foi descartado após o único treino livre do final de semana. O problema da escuderia era fazer com que a parte superior da asa completasse sua rotação em 0,4 segundos, conforme estipulado pelo regulamento.
Após o GP do Japão, a Ferrari testou uma versão revisada em Monza enquanto filmava o SF-26. Isso deu tempo de pista suficiente para a equipe resolver os problemas e correlacionar os dados do simulador com a vida real, e a asa finalmente ficou pronta para correr em Miami. Surpreendentemente, a Red Bull estava passando pelo mesmo processo ao mesmo tempo, mas em segredo. Houve indícios de que eles estariam testando sua versão em Silverstone com o RB22.
Quando finalmente foi revelado ao público, o dispositivo mostrou uma interpretação diferente ao da Ferrari: Enquanto a dos italianos gira de frente para trás, a da Red Bull gira de trás para cima, um movimento mais simples, mas que resulta em uma abertura visivelmente maior. O design da equipe austríaca utiliza um atuador montado no centro, em vez de nos cantos como a de sua rival.
O chefe da equipe RBR, Laurent Mekies, fez questão de dar crédito aos seus designers: "Eles criaram esse conceito muito antes de chegarmos à pista e vermos o que todos os outros estavam fazendo.", declarou.
Não há pontos por ser o primeiro a mostrar uma ideia, especialmente se ela não chegar ao carro cedo o suficiente para entregar vantagem real. De acordo com o portal The Race, a Red Bull começou a trabalhar nessa asa em novembro do ano passado, quando conversas com a entidade máxima da F1 deixaram claro que as novas regulamentações para os carros de 2026 permitiam o uso deste modelo.
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