McLaren vence disputa judicial e garante mais de US$ 12 milhões contra Palou
Justiça rejeita parte ligada à Fórmula 1, mas reconhece quebra de contrato na Indy e condena espanhol a pagar indenização milionária
A disputa judicial entre McLaren Racing e Álex Palou teve um desfecho duro para o espanhol na Alta Corte de Londres, com a equipe britânica sendo indenizada em mais de US$ 12 milhões por perdas e danos ligadas ao programa de IndyCar que não se concretizou após a ruptura contratual em 2023. A magistrada rejeitou, porém, a fatia mais ambiciosa da ação, relacionada a supostas perdas no projeto de Fórmula 1, que poderia elevar o total para perto de US$ 30 milhões, mantendo o foco da condenação apenas no acordo para a categoria americana, encerrando um dos casos mais explosivos recentes no automobilismo e abrindo espaço para que o espanhol e a Chip Ganassi Racing concentrem esforços na defesa dos títulos da Indy e das 500 Milhas de Indianápolis.
Sentença limita escopo, mas confirma alto impacto financeiro
O processo, movido pela McLaren após Palou romper o acordo válido para 2024–2026 e optar por permanecer na Chip Ganassi Racing, pedia mais de US$ 20 milhões em indenização por danos comerciais e de imagem. A corte entendeu que a equipe papaia comprovou prejuízos relevantes na IndyCar, mantendo uma compensação superior a US$ 12 milhões, mas classificou as alegações ligadas à Fórmula 1 — que chegavam a quase US$ 15 milhões,como improcedentes, reduzindo significativamente a exposição financeira do piloto.
Documentos apresentados no processo apontavam que a McLaren esperava capitalizar a chegada de Palou por meio de patrocínios de alto valor, incluindo cifras associadas à NTT e outras parceiras que não se concretizaram após a decisão do espanhol de não correr pela equipe. A perda projetada de receitas, somada a gastos com testes de F1, bônus potenciais e reajustes salariais necessários para manter Pato O’Ward como peça central do projeto, serviu de base para os cálculos da indenização que a Justiça validou apenas no escopo da IndyCar.
McLaren fala em “resultado adequado” e promete buscar custos legais
Em nota oficial, a McLaren classificou a decisão como “inteiramente apropriada” e reforçou que a corte reconheceu o “significativo impacto comercial e a disrupção” causados pela quebra de contrato de Palou, destacando que todas as obrigações contratuais teriam sido cumpridas pela equipe antes da ruptura. A organização de Woking já indicou que pretende buscar, em uma audiência posterior, o ressarcimento de juros e das custas judiciais, valor que, se aceito, pode mais do que dobrar o desembolso total do espanhol em relação ao montante fixado na sentença.
RACER relata que os custos legais de ambas as partes superam o valor da própria indenização, o que transforma a disputa em um processo de altíssimo desgaste financeiro e de reputação para todos os envolvidos. A McLaren insiste que a compensação é necessária para reequilibrar o planejamento esportivo e comercial afetado pela ausência de Palou e pela necessidade de reposicionar seu programa de IndyCar após a saída repentina do então campeão.
Palou comemora vitória parcial na F1 e critica valor da indenização
Do outro lado, Palou celebrou a rejeição integral da parcela da ação referente à Fórmula 1, classificando as alegações da McLaren nessa área como “completamente inflacionadas” e sem valor real. O tetracampeão da Indy e atual vencedor das 500 Milhas de Indianápolis reforçou que decidiu não correr pela equipe inglesa após concluir que não teria garantias concretas de um assento na F1, e lamentou que “tanto tempo e dinheiro” tenham sido gastos em torno de reivindicações que a Justiça descartou.
Apesar de reconhecer a frustração com a condenação na IndyCar, Palou argumenta que a McLaren não sofreu prejuízo efetivo, sustentando que a equipe foi beneficiada pelo desempenho do piloto que o substituiu. O espanhol afirmou que está avaliando seus próximos passos com seus advogados, mantendo aberta a possibilidade de recurso, e indicou que não pretende se manifestar mais sobre o assunto no curto prazo.
Ganassi reforça apoio e mira temporada 2026 na Indy
Chip Ganassi, dono da equipe que bancou a defesa de Palou desde o início do litígio, saiu em público para reafirmar “apoio total, agora e sempre” ao piloto, ressaltando o caráter do espanhol e a força do conjunto que dominou a IndyCar nos últimos anos. Para o dirigente, a decisão judicial não altera as prioridades esportivas da organização, que seguem centradas em manter a equipe no topo e disputar títulos em todas as frentes.
Ganassi frisou que o foco passa a ser a luta por mais um campeonato da IndyCar e a defesa da vitória nas 500 Milhas de Indianápolis de 2025, resultados que consolidaram Palou como um dos grandes nomes da geração. Com o julgamento encerrado e a questão financeira ainda em possível fase de recurso e definição de custos, time e piloto apostam em deixar o barulho dos tribunais para trás e transformar o caso em combustível competitivo dentro das pistas em 2026.