Fórmula E: testes da Gen4 revelam primeiros sinais de forças e fragilidades
Fabricantes avançam no desenvolvimento do novo carro, mas problemas dificultam o estabelecimento de uma hierarquia antes da homologação
A nova geração da Fórmula E ainda nem chegou oficialmente às pistas, mas os testes de desenvolvimento já começam a revelar quais fabricantes estão encontrando um caminho mais tranquilo e quais ainda enfrentam obstáculos pelo caminho. Com a homologação da Gen4 se aproximando, Porsche, Stellantis, Jaguar, Nissan, Lola e Mahindra aceleram os trabalhos para transformar os protótipos em carros prontos para a competição.
Nas últimas semanas, os testes se concentraram principalmente em circuitos da Península Ibérica. Guadix, Calafat, Monteblanco e Estoril estão entre os locais utilizados pelas fabricantes para avaliar desempenho, confiabilidade e novos componentes do carro que marcará a próxima fase tecnológica da categoria.
Ainda é cedo para estabelecer uma ordem de forças. Os fabricantes continuam introduzindo peças específicas da Gen4 e, com isso, também descobrindo problemas que podem alterar os planos de desenvolvimento. O cenário atual, porém, começa a apresentar algumas diferenças entre os projetos.
Segundo informações do FE Notebook, Porsche e Stellantis chegam a esta etapa em uma situação considerada positiva após os testes realizados até agora. Jaguar e Nissan, por outro lado, encontraram dificuldades conforme passaram a utilizar uma quantidade maior de componentes desenvolvidos especificamente para a nova geração.
A Lola também chamou atenção pelo desempenho, mas enfrenta questões relacionadas à confiabilidade. Já a Mahindra aparece em uma situação diferente. A fabricante indiana teve uma entrada mais tardia no desenvolvimento da Gen4 e ainda trabalha para recuperar parte do tempo perdido.
Jaguar e Nissan enfrentam problemas
A Jaguar esteve recentemente em Guadix com Antonio Felix da Costa e Maximilian Günther. O carro de desenvolvimento apresentou ritmo competitivo durante o programa de testes, mas problemas de confiabilidade reduziram o tempo disponível de pista.
A Envision também acompanhou as atividades para ampliar o conhecimento sobre o projeto da Gen4. A equipe vem participando desse processo desde o fim de 2025, quando Sébastien Buemi se tornou o primeiro piloto que não tinha contrato com a Jaguar a experimentar o carro.
Na Nissan, Zane Maloney teve em Calafat seu primeiro contato com o Gen4 da fabricante. O piloto foi acompanhado por Sam Bird, mas o teste foi prejudicado por um problema específico que limitou o número de voltas realizadas.
A programação, entretanto, continua. Maloney voltou ao carro nesta semana em Monteblanco, enquanto outro teste está previsto para o fim de setembro.
Stellantis ganha quilometragem
Entre os projetos que acumulam mais quilômetros está o da Stellantis. Nick Cassidy, Jean-Eric Vergne, Mitch Evans e Theo Pourchaire participaram das atividades realizadas em diferentes circuitos espanhóis.
Citroën e Opel, marcas que fazem parte do projeto, também apresentaram resultados considerados razoáveis nas simulações de desempenho. A fabricante ainda terá mais oportunidades de testar antes da atividade oficial marcada para Jarama, em novembro.
Mahindra tenta recuperar terreno
A Mahindra, por sua vez, precisou alterar os planos para o teste de Guadix ao não conseguir levar novos componentes à Espanha a tempo.
A solução foi continuar o trabalho no Reino Unido. Segundo um porta-voz da fabricante ouvido pelo FE Notebook, a proximidade com a cadeia de fornecimento permite receber, montar, validar e testar as peças com maior rapidez.
Antes disso, a equipe havia utilizado o equipamento da AVL, na Áustria, e realizado testes com Edoardo Mortara e Nyck de Vries.
A reta final antes da estreia
A próxima etapa importante será a homologação dos carros. Depois disso, as equipes terão pouco tempo para preparar os modelos que serão levados a Valência em 11 de novembro, antes dos quatro dias de testes públicos em Jarama, entre 16 e 20 de novembro.
É justamente nessa fase que os problemas encontrados durante os testes podem fazer diferença. Uma falha de confiabilidade descoberta agora ainda pode ser corrigida antes da homologação. Depois, as possibilidades de alteração serão muito mais limitadas.
Por isso, os testes da Gen4 não servem apenas para descobrir quem é rápido. Eles também mostram quem consegue transformar velocidade em um pacote confiável antes que a nova geração chegue oficialmente às pistas.
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