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FIA investiga presidente por tentativa de interferência em corrida da F-1

Mohammed Ben Sulayem teria tentado manipular punição a Fernando Alonso no GP da Arábia Saudita de 2023, segundo denúncia enviada ao comitê de ética da federação

4 mar 2024 - 16h10
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O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Ben Sulayem, é investigado por tentativa de interferência no resultado de uma corrida da Fórmula 1. Segundo uma denúncia encaminhada à federação, o mandatário da entidade máxima do automobilismo interveio para anular uma das penalidades aplicadas a Fernando Alonso, da Aston Martin, no GP da Arábia Saudita em 2023. A informação foi noticiada pela emissora britânica BBC, que afirma ter tido acesso ao relatório com a denúncia.

O material está com o comitê de ética da FIA. Ainda não houve manifestação pública da entidade ou de Sulayem sobre o caso. A alegação é de que o presidente mandou reverter uma punição de cinco segundos ao piloto espanhol. Alonso cumpriu a pena ainda durante a corrida, por largar fora de posição. Ainda assim, o piloto manteve o ritmo e passou na linha de chegada em terceiro. Ele subiu ao pódio ao lado de Sergio Pérez e Max Verstappen, vencedor e vice, respectivamente. Era o 100º pódio de Alonso na Fórmula 1.

Mais tarde, porém, foi aplicada uma nova punição, aumentando dez segundos o tempo do piloto da Aston Martin. A justificativa era de que a equipe tocou no carro antes de ter sido cumprido o tempo total da punição anterior. A segunda punição fez com que Alonso perdesse uma posição, caindo para quarto, enquanto George Russel, da Mercedes, subiu para o terceiro lugar. Um recurso da Aston Martin foi aceito e a direção de prova da FIA retirou a segunda punição de Alonso, que voltou ao terceiro lugar.

A alegação encaminhada ao comitê de ética da FIA é de que Sulayem ligou para Abdullah bin Hamad bin Isa Al Khalifa, vice-presidente esportivo da FIA na região do Oriente Médio e Norte da África, ordenando que a punição de dez segundos fosse revogada. A frase citada pela BBC e atribuída ao presidente da FIA é de que ele "esperava que os comissários revogassem a penalidade".

Agora, o comitê de ética espera investigar o relatório em um período de quatro a seis meses. O documento é de responsabilidade de Paolo Basarri, membro do departamento de compliance da FIA. A BBC afirma que, além do relatório, fontes dos bastidores do alto escalão da Fórmula 1 e próximas da FIA confirmam o caso.

A reportagem da emissora menciona outras polêmicas durante a gestão de Sulayem, eleito em dezembro de 2021. Entre elas, está a atribuição de uma série de falas machistas ao presidente. Em entrevista à agência de notícias internacional AFP, ele não negou e confirmou o que havia dito. "Vamos assumir que fui eu. Eu digo exatamente o que foi dito. Foi 'eu odeio quando mulheres pensam que elas são mais inteligentes que nós'. Mas elas odeiam quando homens pensam isso", afirmou na época.

Figurões do automobilismo têm deixado seus postos na FIA nos últimos meses. Um exemplo é o engenheiro britânico Steve Nielsen, que assumiu a função de diretor esportivo no início de 2023 e renunciou sem sequer fechar um ano no cargo. Outros nomes são o da diretora da comissão feminina, Deborah Mayer; o chefe da autoridade alemã do automobilismo, Gerd Ennser; os advogados Pierre Ketterer e Ed Floyd; e o diretor Tim Goss. Este último assumiu o cargo de diretor técnico da equipe da Red Bull.

Estadão
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