São Caetano - Não chega a ser uma ameaça de vingança, até porque isto não combinaria com seu espírito cristão. A verdade, porém, é que o volante Claudecir, um dos principais jogadores do surpreendente São Caetano, quer mostrar aos dirigentes do Grêmio, nas semifinais da Copa João Havelange, que o clube cometeu uma grande injustiça ao dissolver o grupo de Atletas de Cristo do Olímpico, no começo deste ano.
"Somos religiosos, mas não tiramos o pé na hora da dividida. E nem formamos panelinhas como se disse lá no Grêmio", afirma Claudecir, 23 anos, praticamente negociado com o Palmeiras para 2001.
Foi na abertura da temporada, com a chegada do técnico Émerson Leão, que o Grêmio pôs em prática uma medida projetada desde 1999. Ao dispensar Murilo, Fabinho, Palhinha, Capitão, Goiano e Macedo, entre outros jogadores que não abriam mão da Bíblia, o clube julgou estar livrando-se de um sério problema. Restou apenas Itaqui.
No Olímpico, dizia-se que os Atletas de Cristo pensavam duas vezes antes de parar com falta uma jogada do adversário e constrangiam os companheiros a rezar com eles, às vezes até nas horas mais impróprias, quando todos deveriam estar repousando na concentração. Verdade ou não, o clima tornou-se insustentável para os religiosos que, pouco a pouco, foram mudando de ares.
Claudecir soube dessas notícias em São Caetano do Sul ao ler o jornal que circula entre todos os Atletas de Cristo do país. Lamentou a atitude do Grêmio e a comentou com Wagner, Adhemar, Adãozinho, Daniel, Serginho, Luciano e Solimar, os outros sete jogadores que com ele freqüentam os cultos na Igreja Apostólica, localizada nas imediações do Estádio Anacleto Campanella.
"Sei que alguns jogadores que se dizem religiosos às vezes dão maus exemplos, mas é certamente uma minoria", afirma.
No São Caetano, não há restrição aos Atletas de Cristo. Pelo contrário. O país já se acostumou a ver os jogadores comemorando os gols erguendo a camisa azul da equipe e exibindo, numa outra, branca, que fica por baixo, a inscrição Deus é Fiel.
Quase todos os titulares participam das missas e rezam nas concentrações. O lateral Japinha, que não integra o grupo, também não o censura. Fica até feliz ao ver os amigos orando. "Eles pedem que Deus os ilumine e proteja e que não haja violência nos jogos, acho tudo isso muito positivo."