São Paulo - O Corinthians busca desesperadamente a reabilitação, depois de dez derrotas consecutivas. O São Paulo quer consolidar a classificação e, de lambuja, se safar da incômoda possibilidade de contribuir para a tomada de fôlego do rival. Objetivos totalmente opostos na Copa João Havelange e que serão colocados frente a frente neste domingo, no Morumbi, a partir das 17h.
À beira da próxima fase, o São Paulo faz o que pode para esquivar-se da crise corintiana e se esforça em garantir que pensa apenas em cumprir sua estratégia de permanência no campeonato. Enquanto o Corinthians não consegue nem oferecer explicações, o time de Levir Culpi "faz de conta" que não se preocupa com a pressão para dar seguimento à tragédia adversária.
"Nosso pensamento é não deixar a definição para a última rodada. Estamos muito perto e vamos buscar o que falta diante do Corinthians", disse o atacante Marcelo Ramos. Com 35 pontos e sem vencer há dois jogos - perdeu para o Juventude e para o Sport -, tamanha determinação viria da necessidade de não mais adiar a classificação matemática. Muito menos quando o compromisso derradeiro é com o Vasco, em São Januário.
"Respeitamos o Corinthians, mas temos de nos preocupar com nós mesmos. Queremos a vitória para não complicar nossa situação na tabela", afirmou Ramos. De acordo com as avaliações a seqüência na competição está assegurada a partir dos 36 pontos. Abaixo disso, somente com uma combinação de resultados.
Até o jovem zagueiro Jean repete a tese. Escalado no lugar do suspenso Ayala, ele quer fazer da sua estréia em clássicos um motivo de comemoração. O mau momento do rival, ganha conotação de mero detalhe. "O São Paulo precisa pensar nele. Temos de resolver nossos problemas. Além disso, os dois times entram em campo com responsabilidades iguais em vencer. Nossa necessidade é de garantir a classificação."
A possibilidade de reabilitar o Corinthians, então, é uma preocupação completamente descartada, segundo o jogador. "Não é por ser o Corinthians ou por eles estarem mal. Não interessa a situação deles. Precisamos da vitória para ficarmos de uma vez por todas entre os classificados", argumentou.
Mas Jean se entrega em dois pontos. O primeiro é a constatação de que a equipe ainda necessita melhorar. "Algumas jogadas precisam ser ajustadas." O segundo, que ser derrotado em um clássico gera clima ruim. "É claro que não é bom."
Outro que começa como titular e segue raciocínio idêntico é o lateral-direito Pimentel - Belletti cumpre suspensão. "Uma partida como essa exige brio, coragem e atenção. Não existe nem favorito porque é clássico. Só que, da nossa parte, o pensamento é único: vencer", ressaltou.
Ele reforçou que o empenho independe da situação corintiana, porém salientou que o grupo nem pensa em permitir uma reação do time de Candinho. "Vale a nossa classificação. Isso é o que importa, acima de tudo."
Mentor do discurso dos jogadores, o técnico Levir Culpi dividiu irmanamente a obrigação entre as duas equipes. A resposta para o pensamento do grupo em relação ao risco de dar sobrevida ao Corinthians, foi evasiva. "Clássico é 50% para cada lado. Temos de estar atentos e fazer o que pudermos para somar os pontos e completar o necessário para a classificação."
Expulsos na partida contra o Sport, o reserva Ilan e o lateral Belletti, além de Ayala, não jogam neste domingo. No meio-de-campo, a ausência é o chileno Maldonado, que está com a seleção do seu país. A boa notícia é a disponibilidade do meia Souza, que se recuperava de uma lesão.