São Paulo - Num momento em que o time mais precisa de tranqüilidade para quebrar a série de 10 derrotas consecutivas, o clima no Corinthians é o pior possível. As últimas declarações do vice-presidente de futebol Antonio Roque Citadini, denunciando uma divisão no elenco, causou um profundo mal-estar entre o dirigente e o grupo.
Ameaçados também por um listão de dispensas, que na prática já começou com as saídas de Müller e Adílson, os jogadores atravessam um momento de medo e profunda insegurança. Ninguém consegue imaginar o que pode acontecer se o time acumular mais uma derrota no jogo deste domingo, às 17h, contra o São Paulo, no Morumbi.
"Não sei se suportaria mais um pesadelo, mais uma noite sem conseguir dormir direito", desabafa o zagueiro Scheidt.
O que está acontecendo com Corinthians neste segundo semestre já passou dos limites da lógica e do bom senso. Virou um trauma na opinião do volante Djair, um dos mais esclarecidos do elenco. "O time está traumatizado sim, e com razão. A pressão é muito grande e o jogador acaba ficando com medo de jogar. Até a vaia da nossa torcida passa a ter um peso muito maior, atrapalha muito mais do que deveria atrapalhar. Tudo isso vai fazendo com que fique cada vez mais difícil tirar o Corinthians dessa situação".
Em meio a esse conjunto de adversidades, uma, em especial, deixa os jogadores ainda mais apavorados: o passado violento da Gaviões da Fiel.
Na derrota de quinta-feira para o Juventude, em pleno Pacaembu os líderes da Gaviões foram até o vestiário corintiano e só não ameaçaram o time porque a pedido do próprio Corinthians na véspera o policiamento foi reforçado. Neste domingo, contra o São Paulo, o mesmo esquema de segurança deve ser repetido no Morumbi, principalmente se o time perder outra vez. A Polícia Militar vai reforçar o seu contingente em dois pontos estratégicos do estádio: o vestiário corintiano e na saída do ônibus, no portão principal do Morumbi.
Diante dos riscos, boa parte dos jogadores decidiu desistir das entrevistas. Os casados que costumam levar as mulheres nos estádios também já deixaram de lado do hábito para evitar problemas com os torcedores. Os que não evitaram os jornalistas não tinham muito o que dizer. "Numa hora dessa o melhor a fazer é trabalhar e dar o máximo pelo time. Nem o torcedor quer mais saber de explicações. O que ele quer são as vitórias", resume o meia Ricardinho.
Tão impotente quanto qualquer jogador, o técnico Candinho também já não encontra palavras para justificar tantas derrotas. Sabe que já começou a ser cobrado pelos torcedores e dá razão a eles. "A torcida tem razão de não estar satisfeita, porque ninguém aqui está. Num momento como esse não adianta jogar os jogadores para baixo. O que mais o time precisa é de força e de incentivo para reagir. De uma hora para outra a coisa muda".
Por outro lado, Candinho sabe que o jogo contra o São Paulo será um dos mais difíceis na Copa João Havelange, por uma série de circunstâncias. O fato de o adversário vir de duas derrotas consecutivas é um fator que vai complicar ainda mais a vida do Corinthians. "O São Paulo ainda depende de pontos para confirmar a sua desclassificação e com certeza virá pressionado. Eu preferia que eles já estivessem classificados".
Sem grandes opções no elenco, Candinho confirmou a volta de Fábio Luciano na zaga mas não definiu completamente a sua equipe. Sabendo que o São Paulo precisa do resultado e deve atacar, o treinador corintiano está estudando uma fórmula para fortalecer a marcação, talvez com mais um volante. Apesar das dificuldades, Candinho acha que pode surpreender o São Paulo se o Corinthians conseguir não sofrer gol no clássico.