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Crise do Corinthians começa no relacionamento
Sábado, 11 Novembro de 2000, 01h52
Atualizada: Sábado, 11 Novembro de 2000, 13h47

Um Corinthians desunido, com os jogadores não se falando entre si e a falta um líder para comandar a equipe dentro e fora de campo. Esses problemas seriam, na opinião do vice-presidente de Futebol do clube, Antônio Roque Citadini, um dos motivos para a crise que o time atravessa, com dez derrotas consecutivas.

Após acompanhar as atividades da equipe, com jogos na capital e fora de São Paulo, o dirigente detectou a falta de solidariedade no grupo. "Os jogadores não se falam nem na hora das refeições, preferem ficar falando até no celular para evitar conversa entre eles", disse o dirigente, que ontem à tarde passou o dia reunido com o presidente do clube, Alberto Dualib.

Citadini antecipou que o plano do Corinthians é contratar para a próxima temporada pelo menos três jogadores com espírito de liderança e mais uma vez garantiu a permanência de Candinho.

Ele afirmou ainda que a reformulação do elenco, iniciada com as dispensas de Müller e Adílson, e o passe dado a Dinei, deverá ser completada após a participação do time na Copa João Havelange. "Agora, temos de manter os jogadores até o fim e não adianta fazer contratações no momento."

O meia Ricardinho, capitão do time, afirmou que a falta de diálogo entre os jogadores fora de campo pode ser em razão dos próprios resultados. "Está tudo mundo de cabeça baixa, não há realmente ânimo para falar com ninguém, mas não se trata de desunião no grupo", garantiu. "Quando um time ganha muito, pode ser que haja problemas de vaidade, mas agora não está ocorrendo esse problema de relacionamento."

O ex-técnico do Corinthians Oswaldo Alvarez, o Vadão, não quer que seja atribuído a ele a crise que o time atravessa. Diz que o técnico Candinho está certo ao afirmar que houve erro no planejamento das contratações. "A minha lista de reforços era outra, a diretoria sabe disso. Mas ao serem apresentados os jogadores que seriam contratados, eu dei o aval", disse.

"Quando saí do Corinthians não culpei ninguém, por isso não aceito que transfiram para o meu trabalho o que está acontecendo agora", afirmou ao Estado, pelo telefone.

"Deixei o clube justamente para que o outro treinador pudesse mudar a situação." Vadão ficou no Corinthians quatro meses - o time foi desclassificado da Copa Mercosul e estava com uma campanha fraca na João Havelange. Das dez derrotas consecutivas, duas foram no seu tempo, uma com Valdir de Morais, que assumiu o cargo interinamente, e as demais com Candinho.

É nesse clima amargo que o Corinthians enfrentará o São Paulo, amanhã, no Morumbi.

O Estado de S.Paulo


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