Sydney - Os Jogos Olímpicos de Sydney marcam a despedida do Comitê Olímpico Internacional de um espanhol de 80 anos que há duas décadas desfruta o poder numa das entidades mais influentes e lucrativas do mundo. Juan Antonio Samaranch, ou Marquês de Samaranch, como prefere ser chamado, está sendo festejado na Austrália com toda pompa que seu cargo exige. No melhor hotel da cidade, de frente para a Harbour Bridge, com uma visão privilegiada da baía de Sydney, despacha num escritório freqüentado pelas figuras mais influentes do país.
Até o final dos Jogos, em 1º de outubro, o marquês reinará absoluto em Sydney. De quinta-feira até ontem (sábado), presidiu o encontro do comitê executivo do COI no Regent Hotel. Deste domingo até quarta-feira, será a figura central da 111ª sessão do COI.
Enquanto Samaranch se movimenta pelos salões dos hotéis, nos bastidores trava-se uma silenciosa batalha por sua sucessão, queda-de-braço que só terá fim no julho de 2001, quando os 113 membros do comitê escolherão o novo dono dos cinco anéis que reúnem 200 países filiados. Nesta data também será escolhida a sede dos Jogos Olímpicos de 2008 (os de 2004 estão marcados para Atenas). Oasaka (Japão), Istambul (Turquia), Paris (França), Toronto (Canadá) e Pequim (China) estão na disputa.
Os mais fortes candidatos à cadeira de Samaranch são Kevan Gosper, australiano de 66 anos, Dick Pound, canadense de 58 anos e Jacques Rogge, belga, também 58 anos. De acordo com o conceito vigente no COI, e, se comparados ao atual presidente, são três homens relativamente jovens. E cada um tem seu cacife.
Atleta nos Jogos Olímpicos de Melbourne, em 1956, Gosper está há 22 anos no COI e chefia a comissão de imprensa da entidade. O êxito de sua candidatura depende diretamente do sucesso dos Jogos Olímpicos de Sydney. Para elevar sua cotação, tem de contar com uma dose de competência e sorte para que uma organização exemplar da Olimpíada disputada em sua casa venha acompanhada de bom nível técnico e de cerimônias de abertura e encerramento marcantes.
Dick Pound, atleta da natação na Olimpíada de 1960, em Roma, é o responsável pelo departamento de marketing do Comitê Olímpico Internacional. Ele tem a seu favor o fato de ser um homem próximo dos patrocinadores e das redes de TV, parceiros poderosos que sustentam o COI e que, indiretamente, têm poder de influir na escolha das sedes dos Jogos Olímpicos. Amigo de Samaranch, Jacques Rogge tem como uma de suas missões tornar viáveis os Jogos de Atenas 2004. Seu desafio é grande.
Há sérias dúvidas, hoje, sobre o nível de organização que os atenienses conseguirão dar ao seu evento. Há dúvidas até se conseguirão realizar o evento.
Uma idéia do que representa o Comitê Olímpico Internacional pode ser dada pelo perfil de seus membros. Fazem parte da entidade figuras como a princesa britânica Anne, o príncipe Albert, de Mônaco, e a Infanta Dona Pilar de Bourbon, integrante da família real espanhola. Entre os nomes ligados ao mundo esportivo destacam-se o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o nadador russo Alexander Popov.
Por tudo isso, a sucessão de Samaranch é acompanhada com atenção e interesse por todo o mundo esportivo.O novo presidente administrará um império que administra US$ 5,1 bilhões somente em direitos de TV comercializados até os Jogos de 2008. Onze patrocinadores pagam algo como US$ 40 milhões cada, por um período de quatro anos, para ter o direito de unir suas marcas aos cinco anéis olímpicos. Daí se tem a dimensão da força da marca.
Agência Estado