Canberra - O nadador brasileiro Leonardo Costa passou, em um ano, da condição de revelação, ao ganhar a medalha de ouro nos 200 m, costas, nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, à integrante da elite do esporte no País. O caminho que seguiu foi o mesmo de outros brasileiros que vêm ganhando destaque na natação - estudar e nadar em uma universidade norte-americana.
Leonardo foi treinar com o técnico Mark Schubert, o mesmo que orienta o recordista mundial da distância Lenny Krayzelburg, na Universidade do Sul da Califórnia. Evoluiu tanto, a ponto de deixar a condição de revelação para integrar a lista de prováveis medalhistas.
Está muito confiante e preparado. Acha que vai "poder nadar uma boa prova" nos seus primeiros Jogos Olímpicos. Com esse espírito, o universitário bem articulado ao expor suas idéias, traça planos.
"Antes de pensar em ganhar uma medalha eu tenho de passar pela peneira da classificação", comenta. "Estando entre os oito aí é pensar que são apenas mais 200 metros para estar entre os três medalhistas e no pódio olímpico."
O nadador que ganhou bronze nos Jogos de Atlanta, em 1996, o italiano Emanuele Merisi, fez o tempo de 1min59s18. Leonardo, de 23 anos e 1,97 m, ganhou os Jogos Pan-Americanos com um tempo na casa do 1min59s, mas sabe também que o recorde mundial, do seu companheiro de treino na Califórnia, Lenny Krayzelburg, é 1min55s87.
"Tenho conversado por e-mail com o meu técnico e ele disse que o Lenny está muito bem", afirmou. Leonardo comentou que também o outro brasileiro especialista no estilo costas, Rogério Romero que está em sua Quarta Olimpíada, está em forma. "Adversários não faltam", observa, citando também o norte-americano Aaron Piersol.
Pressão - A personalidade tranqüila de Leonardo ajuda a enfrentar a pressão e a garantir o sono. "Em um ano eu passei do sonho de disputar uma Olimpíada a condição de estar na lista dos que têm chance de medalha", afirma. "Sei que isso é uma responsabilidade grande, mas naõ deixo a pressão influir."
Comentou que muitas vezes, ao voltar de um treino "não muito bom" em Los Angeles, encontrava e-mails em seu computador com perguntas de um jornalista, um fã ou nadador se poderia ganhar uma medalha. "Pensava, e agora." Mas é em um personagem da NBA o ex-jogador Bill Russel, que Leonardo - um apaixonado pelo basquete norte-americano -, se inspira. Certa vez ouviu Russel dizer que não era um jogador de basquete, mas sim um homem, uma pessoa, que jogava basquete.
"Isso foi muito importante para mim - saber que sou um homem nadador e que o esporte é sim um trampolim para o meu futuro como pessoa."
Agência Estado