Canberra - A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) pretende preparar um programa para desenvolver a natação feminina no próximo ciclo olímpico, pós-Sydney e até os Jogos de Atenas, em 2004. O desafio é fazer com que a geração, formada por jovens nadadoras como Nayara Ledoux, Flávia Delarole, Rebecca Gusmão e Ana Carolina Muniz, entre outras, não troque a natação pelo casamento, estudos, trabalho ou o receio de ganhar um físico com costas largas, antes de desenvolver-se o suficiente para chegar a uma Olimpíada. Em Sydney, Fabíola Molna, especialista no estilo costas, é a única representante feminina em um grupo de 13 nadadores.
"Temos de reservar o próximo quadriênio à preparação das mulheres, para que as garotas de 15, 16 e 17 anos, que estão ganhando destaque e não têm medo de treinar e de ficar com corpo de nadadora, tenham chance de chegar à Atenas nadando bem", anunciou o presidente da CBDA, Coaracy Nunes.
O dirigente prometeu reunir os técnicos e estabelecer um programa de quatro anos. Coaracy acha que ajudaria ter um ídolo no feminino, como são Gustavo Borges e Fernando Scherer no masculino. "É uma pena que temos tido só ídolos entre os homens e, por isso, o fato de a Fabíola estar aqui já é uma motivação muito grande."
A própria Fabíola Molina, que pratica natação desde pequena e só foi conseguir apoio financeiro aos 22 anos, entende que, sem um programa que envolva as nadadoras de todo o Brasil, a categoria feminina do esporte não se desenvolve. Vai continuar dependendo de uma ou outra representante que, com sacrifício pessoal, conseguir chegar a uma Olimpíada ou for "importada", como em Atlanta - a representante brasileira em 96 foi Gabriele Rose, que vive e treina nos Estados Unidos, mas tem dupla cidadania.
Modelo - Fabíola sempre nadou com o apoio financeiro dos pais, que também foram nadadores. "Fui ter patrocínio na seleção há três anos." Mas para ela, dinheiro não é tudo. A atleta defende a adoção de um programa técnico, como o que segue nos Estados Unidos.
A nadadora passou a treinar e a estudar artes dramáticas na Universidade do Tennessee, em 1994. Depois, morou em Nova York e há um ano está em Coral Springs, treinando com Michael Lohberg, técnico de Xuxa e Rogério Romero. "É preciso seguir programas que tenham base científica, que façam as meninas desenvolverem-se."
Ao programa técnico, Fabíola acrescenta a necessidade de intercâmbio com países que têm natação de ponta, participação em clínicas e competições, receitas que várias seleções já seguem.
O Estado de S.Paulo