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Lenílson representa força nordestina
Sabado, 09 Setembro de 2000, 14h29

Sydney - O homem mais rápido do país não tem nada de super-homem. Ao contrário, com um biótipo comum, é um típico brasileiro. Com 23 anos e apenas 1,65 metro, o ex-auxiliar de mecânico, Vicente Lenílson de Lima, representa a força do nordestino na equipe olímpica brasileira, que passa pelo período de aclimatação na cidade australiana de Camberra.

Nascido na cidade alagoana de Currais Novos, Lenílson vive e treina em Natal. Assim como milhares de emigrantes, planeja mudar-se para um centro maior depois da Olimpíada. Tem convites de vários técnicos, mas pretende continuar ligado ao Vasco da Gama, clube que o patrocina há três anos.

Na Olimpíada de Sydney, o campeão brasileiro e ibero-americano está inscrito nos 100, 200 e 4 x 100 metros rasos. Das três provas, ele acredita no melhor resultado no revezamento, especialidade em que o Brasil terminou em quatro lugar no Mundial de Sevilha, no ano passado, e que detém a segunda colocação no ranking da Federação Internacional de Atletismo de 2000.

"É um verdadeiro sonho estar na Austrália, me preparando para os Jogos de Sydney", diz o atleta. "Pena que o frio esteja tão forte, não estou conseguindo treinar assim." Para tentar compensar o problema, tem improvisado tiros de velocidade em ginásio fechado, além de valorizar os treinos na musculação. Em sua primeira olimpíada, Lenílson tem a experiência de ter participado de dois Campeonatos Mundiais, com experiências totalmente diversas.

No primeiro, em Atenas, em 1997, foi eliminado da prova como o atleta de melhor reação ao tiro de partida. Dois anos depois, em Sevilha, teve o pior desempenho entre os participantes de sua série. Apesar do problema, ainda é considerado bom de largada. Por isso, deve abrir o revezamento, percorrendo os primeiros 100 metros da prova.

Lenílson obteve os melhores tempos de sua carreira este ano. Correu duas vezes os 100 metros rasos em 10s18, atingindo o difícil índice de 10s20. Na primeira vez, em maio, contou com a ajuda da altitude de Bogotá, na Colômbia. Na segunda, porém, o tempo foi obtido no Estádio Célio de Barros, no Rio, na final do Troféu Brasil de Atletismo.

Determinado, Lenílson não esconde o seu temperamento de "baixinho esquentado". Apesar de acostumado, não engole, por exemplo, o apelido de Batatinha, que ganhou dos adversários. "Esta foi uma forma que o pessoal encontrou de me menosprezar na época em que eles me venciam com facilidade", garante o atleta, apaixonado por motocross.

"Agora, não dou mole e não conseguem mais me humilhar na pista", prossegue. "Estão correndo atrás de mim." O atletismo é uma atividade recente para o velocista. Ele começou a praticar o esporte por curiosidade há apenas quatro anos. A iniciativa, segundo o atleta, o tirou de um futuro incerto, já que faltava muito na escola por causa das companhias. "Meu objetivo é ser cada vez mais rápido", diz. "Correr está no sangue."

Agência Estado


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