Camberra - O velocista Édson Luciano Ribeiro, integrante da equipe do revezamento 4 x 100 metros rasos, não encontrou melhor maneira para definir sua admiração pela qualidade da pista de atletismo do Instituto Australiano de Esporte (IAE) do que dizer que dormiria tranqüilamente no local caso não tivesse cama para se deitar em Camberra. "É uma coisa maravilhosa, dá até pena de pisar nela", comenta Édson, medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta, em 1996. "Toda a instalação esportiva daqui é um sonho."
O espanto do atleta com a pista é mais do que justificável. Embora conheça dezenas de estádios em todo o mundo, participando de meetings, principalmente na Europa, nenhum chega aos pés do de Camberra. O espanto aumenta ainda mais se a pista australiana for comparada àquela que parte da equipe utiliza nos treinamentos na cidade paulista de Presidente Prudente.
"Lá, é a mesma coisa que pisar no concreto; aqui, é como andar num tapete", compara o velocista. "O risco de contusão em Prudente é enorme, porque as placas estão se soltando; é um perigo."
Heroísmo - Os velocistas que treinam com Jayme Netto Júnior são considerados verdadeiros heróis por conseguirem resultados expressivos a nível internacional sem nenhuma estrutura de preparação quando estão no Brasil. "Ninguém tem noção do sacrifício que fazemos para nos manter em forma", diz André Domingos. "É um verdadeiro milagre."
Netto Júnior luta há dez anos pela reforma da pista da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), em Prudente. O custo da troca do material sintético é avaliado em R$ 600 mil. Do dinheiro necessário, falta a liberação de R$ 250 mil, prometidos pelo Instituto de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), entidade ligada ao Ministério do Esporte e Turismo.
A pista fez uma vítima em abril. O barreirista Róbson Cardoso dos Santos, de 21 anos, prendeu o pé direito numa placa solta e sofreu rompimento dos ligamentos lateral, medial e cruzado do joelho. Cinco meses depois do acidente, o atleta continua em recuperação. Sem movimentos no pé, terá de fazer nova cirurgia nas próximas semanas. "Foi uma tragédia", define o técnico da equipe Funilense/São Caetano, deslumbrado com a qualidade da pista de Camberra. "Nunca vi nada igual", prossegue. "É um lugar excepcional."
O Estado de S.Paulo