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Sueli quer vitória pessoal na Olimpíada
Sexta-Feira, 08 Setembro de 2000, 01h48

Camberra - No ano em que as mulheres ganharam destaque - a jogadora Sandra, do vôlei de praia, será a porta-bandeira do Brasil no desfile de abertura -, Sueli Pereira dos Santos, aos 35 anos, disputa sua primeira olimpíada. Também é a primeira vez na história que o atletismo brasileiro traz uma lançadora do dardo aos Jogos Olímpicos, em uma delegação que conta com apenas três mulheres.

Como se não bastasse, para Sueli a Olimpíada é a marca de uma história pessoal de superação. Cumpriu suspensão por dois anos, após resultado positivo em controle antidoping. Enfrentou o drama do afastamento, mas voltou a treinar, em 1997, com o pensamento fixo nos Jogos de Sydney.

Sueli é Pereira dos Santos nos registros da delegação brasileira, mas é Dashwood na certidão de casamento, o sobrenome do marido australiano, Alan - "um amor às primeiras pernas", conforme explica, referindo-se ao físico do escolhido. Casou-se em Brisbane, na Austrália, há cinco anos e mora em Buenos Aires, na Argentina. É funcionária do marketing da Nike, coordenando eventos para colegiais.

A lançadora do dardo, conhecida como a musa do atletismo pela beleza e vaidade, foi suspensa por causa de antidoping positivo para methenolone e metabolite, esteróides anabolizantes, realizado em 1995. Não se defendeu da acusação de doping. "Os exames são precisos", afirma. "Se alguma substância for encontrada em seu organismo, isso é muito claro, nada pode ser feito."

Hoje, consegue falar sobre o assunto com tranqüilidade. Não se considera injustiçada e defende o exame antidoping para todos os esportes olímpicos. Sueli afirma que não sabe o que ingeriu - "é a mesma substância que davam para as galinhas crescerem". Observa que tinha uma tendinite no joelho esquerdo e estava tomando tanta coisa diferente que ficou difícil saber de onde vinha. Teve resultado positivo em um teste fora de competição.

Com a mudança para Buenos Aires, os problemas foram ficando para trás. Mas ainda teve de enfrentar a decisão da volta, que, comenta, foi apoiada por um companheiro de trabalho, diretor da Nike, o norte-americano Kevin Gosney.

"Ele me perguntou o que eu queria para voltar a treinar e isso me perturbou profundamente", observa. "Sugeriu que eu voltasse, mas para competir em Sydney." O controle positivo deixou ensinamentos - aprendeu a não tomar nada, nem água, que não esteja em embalagem lacrada, e a ir a médicos "que entendam de atleta" sempre que precisa. O trauma de ser chamada para todos os exames antidoping nas competições que disputa já foi superado. "Acho que me chamam para o controle até se eu estiver na arquibancada."

Atualmente, considera-se uma pessoa bem resolvida, mas toma cuidados. Até mesmo o índice olímpico (60 metros) da Confederação Brasileira de Atletismo fez duas vezes fora da Argentina. Marcou 60,47 m no Uruguai e 61,98 m em Bogotá. É a atual 23ª do ranking mundial e espera estar entre as 12 finalistas usando um dardo húngaro, feito pelo campeão olímpico de 1976, Niklos Nemeth. Aponta a norueguesa Trine Hattestad, recordista mundial (69,42 m) e a australiana Kouise McPaul, vice-campeã olímpica, que este ano atingiu 66,80 m, entre as candidatas a medalhas.

O Estado de S.Paulo


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