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Taxas dos DIs de longo prazo sobem mais de 260 pontos-base após vitória de Lula

26 out 2026 - 10h11
(atualizado às 11h12)
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Resumo
As taxas dos DIs dispararam nesta segunda-feira após a vitória de Lula contra Flávio Bolsonaro, surpreendendo o mercado que previa maior rigor fiscal com o senador. Contratos longos, como o de janeiro de 2035, subiram mais de 260 pontos-base devido à cautela fiscal. Em resposta à forte volatilidade, a B3 ampliou os limites de oscilação dos DIs e o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação desta semana para evitar pressionar ainda mais as taxas do mercado.

As ‌taxas dos DIs dispararam nesta manhã de segunda-feira após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, surpreendendo o mercado.

Às 9h58, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em ⁠14,915%, em alta de 206 pontos-base ante o ajuste de ‌12,859% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava ‌em 15,375%, com elevação de 263 ‌pontos-base ante 12,745%.

Lula venceu a disputa pelo Planalto com ⁠51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste nesta manhã é intenso.

Na noite de domingo, profissionais consultados pela Reuters já haviam projetado um forte avanço ‌das taxas dos DIs, em especial nos contratos com prazos ‌mais longos, que refletem ⁠mais diretamente a ⁠perspectiva para a política fiscal.

No dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio ⁠ficou à frente de ‌Lula, a taxa do DI ‌para janeiro de 2035 chegou a ceder mais de 130 pontos-base, em meio à euforia do mercado com a possibilidade de o senador vencer a disputa.

Por trás da euforia ⁠estava a leitura de que, com Flávio no Planalto, cresceriam as chances de um ajuste nas contas públicas. Como Lula venceu o segundo turno, garantindo mais um mandato, a curva a termo brasileira está ‌enfrentando um forte ajuste de alta nesta segunda-feira.

Em função das oscilações, a B3 elevou, por meio de comunicado, todos os limites ⁠de alta das taxas dos DIs, em todos os vencimentos.

Em outra medida, o Tesouro Nacional informou nesta manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira. Por outro lado, o Tesouro manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Ao anunciar os cancelamentos, o Tesouro busca não estimular taxas ainda mais elevadas nos mercados de títulos e de DIs.

Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 9h58 desta segunda-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 13,9 13,468 0,432

JAN/28 14,915 12,859 2,056

JAN/29 15,03 12,642 2,388

JAN/30 15,215 12,645 2,57

JAN/31 15,25 12,642 2,608

JAN/35 15,375 12,745 2,63

(Edição de Isabel Versiani)

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