Taxas de DIs caem após IBC-Br fraco em dia de decisões sobre juros nos EUA e no Brasil
As taxas dos DIs operam em queda nesta quarta-feira, impulsionadas pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior e pela retração de 0,2% no IBC-Br de julho, dado pior que o esperado que reforça as apostas de corte na taxa Selic. O mercado financeiro concentra suas atenções nas decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, além de monitorar a queda do petróleo e os desdobramentos políticos decorrentes do adiamento de julgamentos de ministros no Supremo Tribunal Federal.
As taxas dos DIs operavam em baixa nesta quarta-feira, em meio ao recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior e a novos dados econômicos no Brasil, mostrando retração da atividade em julho.
Boa parte das atenções nesta sessão está voltada para as decisões sobre juros nos Estados Unidos, às 15h, e no Brasil, após o fechamento dos mercados.
Às 9h48, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,62%, em baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,655% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,26%, com recuo de 10 pontos-base ante 14,364%.
O Banco Central informou mais cedo que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,2% em julho ante junho, conforme a série com ajuste sazonal.
O resultado, pior que a retração 0,1% projetada por economistas consultados pela Reuters, juntou-se a uma série de números mais recentes que sugerem perda de força da atividade econômica -- o que favorece novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 14%.
Na última segunda-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 94,5% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic na noite desta quarta-feira, contra 3,5% de probabilidade de manutenção da taxa básica. Para o encontro seguinte, em novembro, a precificação indicava 53% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 31,5% de chance de manutenção.
Além do IBC-Br, a curva brasileira reagia nesta manhã à queda dos rendimentos dos Treasuries, ainda que os investidores globais esperem por uma alta de 25 pontos-base da taxa de referência nos EUA na decisão desta quarta-feira. Atualmente os juros nos EUA estão na faixa de 3,50% a 3,75%.
Às 9h39, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 3 pontos-base, a 4,634%.
O petróleo, que em sessões mais recentes serviu de suporte para a curva brasileira, também operava em baixa nesta sessão, com o barril do Brent sendo negociado com queda de 1,4%, aos US$107,23.
Internamente, os agentes também seguiam atentos ao noticiário político e, em especial, à crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
A corte adiou na terça-feira a decisão final sobre juntar ou não, para análise do plenário, dois casos envolvendo ministros: o de possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o de abuso de poder e improbidade por parte do ministro André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu vista e paralisou o julgamento.
Como Dino tem 90 dias de prazo para avaliar a questão, há a possibilidade de a decisão ser tomada agora pelo plenário apenas após a eleição presidencial de outubro.
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