Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Suspensão do consignado do INSS trava mercado de R$ 100 bi e penaliza baixa renda, dizem bancos

Entidades como ABBC, Febraban e Zetta manifestaram 'grande preocupação, surpresa e insegurança' com a decisão do TCU de interromper a concessão de crédito consignado para aposentados

4 mai 2026 - 10h02
Compartilhar
Exibir comentários

Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e Zetta (que representa fintechs) manifestaram "grande preocupação, surpresa e insegurança" com a decisão cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU) de interromper a concessão de crédito consignado para beneficiários do INSS.

Na determinação da semana passada, a corte alegou que havia indícios relevantes de fraudes e falhas de controle nas operações, com risco de prejuízo a aposentados e pensionistas enquanto o problema não fosse corrigido.

Por isso, o TCU determinou na quarta-feira, 29, que o INSS suspendesse imediatamente novas concessões de crédito consignado nas modalidades de cartão de crédito e cartão consignado de benefício. E mandou interromper novos empréstimos pessoais consignados até que sejam implementadas e estejam em operação travas e mecanismos de controle.

TCU determinou que o INSS suspendesse imediatamente novas concessões de crédito consignado
TCU determinou que o INSS suspendesse imediatamente novas concessões de crédito consignado
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Estadão

Em nota conjunta, divulgada nesta segunda-feira, 4, as três entidades do setor financeiro reconheceram que é indispensável mitigar riscos de atividades fraudulentas, coibir contratações indevidas e ajustar fragilidades operacionais.

"No entanto, a paralisação do consignado do INSS, por decisão inesperada do poder público, interrompe um mercado regulado que movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano, com aproximadamente R$ 9 bilhões em descontos mensais, e penaliza sobretudo uma população de baixa renda e alta vulnerabilidade financeira", alertam.

A decisão ameaça comprometer necessidades financeiras reais e recorrentes dos beneficiários do INSS, ainda que a intenção seja "meritória", avaliam ABBC, Febraban e Zetta. Hoje, cerca de 4 em cada 10 aposentados e pensionistas (cerca de 17 milhões de pessoas) têm empréstimos consignados, de acordo com o comunicado. A carteira total da modalidade soma R$ 283,9 bilhões em crédito para 65,4 milhões de contratos ativos, enquanto a taxa média é de 1,82% ao mês.

A nota cita ainda levantamento conduzido pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, em fevereiro. Segundo a pesquisa, mais da metade (56%) dos tomadores do consignado do INSS recorrem à linha por necessidade financeira imediata ou urgente.

Alternativas

As entidades também afirmam que a decisão cautelar desconsiderou a recomendação técnica da Unidade de Auditoria Especializada em Previdência, Assistência e Trabalho do TCU. Nela, a divisão do tribunal adverte que a suspensão do crédito consignado impossibilitaria o acesso ao crédito por um público vulnerável e impediria a contratação de qualquer empréstimo por esse grupo.

Nesse sentido, as instituições alegam que a interrupção generalizada do produto afeta aposentados e pensionistas que usam a linha para substituir dívidas mais caras, financiar despesas médicas, acertar contas domésticas ou recompor a liquidez da família. Por isso, na visão das entidades, há alternativas mais adequadas para a suspensão: reforço da fiscalização pelas instituições financeiras; bloqueios pontuais de agentes sob indício de irregularidade; aplicação de multas e ressarcimentos; auditorias; monitoramento contínuo de reclamações; e acordos de cooperação com instituições infratoras.

Mudanças recentes no modelo operacional do consignado do INSS já ajudaram a resolver algumas dessas questões, de acordo com a nota. A autorregulação da Febraban com a ABBC já aplicou 1.173 advertências e 899 suspensões temporárias, com 130 empresas de correspondentes bancários banidas. Outros 14 agentes de crédito (CPFs) foram suspensos por 12 meses. As medidas levaram a uma queda de mais de 60% nas reclamações no site consumidor.gov.br, de 1.710 no pico em junho de 2025 para 623 em dezembro.

ABBC, Febraban e Zetta alertam que a suspensão abrangente pode gerar efeitos sociais e econômicos relevantes para uma população vulnerável. "Por isso, é indispensável calibrar as medidas para proteger o planejamento financeiro dos beneficiários e assegurar a estabilidade e a previsibilidade de um ecossistema regulado, com contratos vigentes e múltiplos participantes, públicos e privados", destacam.

As entidades concluem dizendo que buscarão a "modulação" dos efeitos da decisão cautelar, com base em um "compromisso firme" de continuar implementando, de forma gradual e verificável, todos os controles compatíveis com o racional definido pelo TCU, "preservando a proteção ao beneficiário e, ao mesmo tempo, evitando a suspensão total da oferta do consignado".

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra