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Stellantis pode repetir com Dongfeng modelo da parceria com Leapmotor no Brasil

9 jun 2026 - 16h55
(atualizado em 10/6/2026 às 11h34)
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O grupo Stellantis está estudando com a parceira ‌chinesa Dongfeng como ampliar sua oferta de modelos no Brasil, enquanto foca a operação local em seus pontos fortes, disse nesta terça-feira o presidente para América do Sul da empresa automotiva, Herlander Zola.

Dona de marcas como Fiat e Jeep, a Stellantis anunciou no final de maio uma ampliação de sua parceria com o grupo automotivo chinês Dongfeng, depois de ter ⁠divulgado em novembro que a também chinesa Leapmotor vai começar a produzir a partir deste ‌ano veículos elétricos em seu complexo industrial de Goiana (PE), que já monta modelos da Jeep.

"Com a parceria com a Dongfeng podemos aproveitar a possibilidade de estender nosso 'lineup' de modelos", disse ‌Zola a jornalistas durante evento promovido pela associação de ‌montadoras Anfavea.

"Podemos trazer produtos (da Dongfeng) para o Brasil... estamos em desenvolvimento conjunto", acrescentou ⁠o executivo, sem dar detalhes.

Questionado se a Stellantis pode replicar o modelo que usou para trazer a Leapmotor ao Brasil, Zola respondeu que "isso pode ser um caminho" entre outras alternativas sendo avaliadas pelo grupo.

Também no final de maio a Stellantis lançou um plano global para concentrar investimentos em suas quatro marcas principais -- Fiat, Jeep, Ram e Peugeot -- o que no Brasil ‌fará a companhia se concentrar em veículos compactos de entrada da Fiat e picapes, disse Zola.

"Os ‌chineses são menos relevantes (no Brasil) ⁠nessas áreas", disse o ⁠executivo.

Enquanto isso, no segmento de utilitários esportivos, a companhia prepara "uma renovação completa" dos modelos e aumento da ⁠oferta com a chegada do compacto Jeep Avenger ‌neste ano.

"E vamos ter parcerias ‌que vamos começar a explorar com a Leapmotor que vão ser muito relevantes com a chegada de novos produtos este ano (no Brasil)", disse o presidente da operação sul-americana da Stellantis.

Questionado sobre a eventual aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, que ⁠está em discussão no Congresso, e seus impactos nos custos produtivos do setor automotivo nacional, Zola afirmou que a competitividade da indústria deve ser atingida.

"O custo produtivo (da escala 5x2), em comparação com a China, piora nossa competitividade. As horas trabalhadas na China durante uma semana são muito maiores", disse o executivo. "Vamos nos ‌adaptar."

O Brasil atualmente é o sexto maior mercado de carros e comerciais leves do mundo, mas apenas o oitavo maior fabricante, segundo dados do setor. Só neste ano, 11 novas ⁠marcas passaram a vender veículos no Brasil, a maioria da China, de acordo com a Anfavea.

Zola afirmou que para a indústria automotiva brasileira se manter relevante frente a rivais chinesas, o processo de desenvolvimento de novos produtos precisa ser acelerado.

"Para sermos competitivos, o timing tem que ser diferente. É um timing que precisa ser muito mais rápido", disse.

Sem essa aceleração, o modelo de produção da indústria automotiva no Brasil, em que o setor procura realizar o maior número de etapas produtivas no país em vez de se concentrar apenas na montagem de kits de peças importadas, corre risco, afirmou o executivo.

"Muitas das montadoras nacionais têm parcerias fortes na China que podem ser utilizadas no Brasil", disse. "Esse modelo (de produção local) está em risco", acrescentou, citando os desafios macroeconômicos, como a diferença do custo de capital entre ambos os países.

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