Script = https://s1.trrsf.com/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Senado aprova aumento do teto e perdão de dívidas de MEIs e dá aval a mais uma bandeira de Lula

Medidas custarão R$ 2,69 bilhões no Orçamento de 2027; Votação ocorre um dia após senadores aprovarem fim da escala 6x1

15 out 2026 - 19h02
(atualizado às 19h06)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O Senado aprovou projeto que amplia o teto do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, autoriza a contratação de até dois empregados e perdoa mais de R$ 12,86 bilhões em dívidas tributárias. A medida, que segue para sanção, integra o pacote econômico e eleitoral do presidente Lula para atrair microempreendedores e indecisos no segundo turno da eleição presidencial. Com impacto estimado em bilhões nas contas públicas, as mudanças exigirão ajustes no Orçamento federal a partir de 2027.

BRASÍLIA — O Senado aprovou, nesta quinta-feira, 15, o projeto que aumenta o teto de faturamento do microempreendedor individual (MEI) e perdoa pelo menos R$ R$ 12,86 bilhões em dívidas desses empreendedores. O projeto foi aprovado na Câmara no dia anterior e agora segue para sanção presidencial. Foram 78 votos favoráveis e nenhum contrário.

Como justificar a ausência na votação? Voto nulo cancela a eleição? Tire essas e outras dúvidas no Terra Responde

A proposta faz parte do pacote anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, em meio à campanha eleitoral. Só essas duas medidas custarão R$ 2,69 bilhões no Orçamento de 2027. Na véspera, o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6X1, mais uma bandeira eleitoral de Lula.

Com a medida, Lula espera reverter a vantagem do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, do primeiro turno e atrair votos de pequenos empreendedores. A principal estratégia da campanha do PT é convencer eleitores indecisos e aqueles que não foram votar na primeira etapa.

Também nesta quinta-feira, 15, o governo esperava aprovar a PEC da Segurança Pública no plenário do Senado, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou o texto da pauta após divergências sobre a redução da maioridade penal.

O Gastômetro, ferramenta do Estadão que monitora em tempo real os desembolsos do governo federal em ano eleitoral, já atingiu R$ 354 bilhões, com diferentes tipos de medida. Também fazem parte do pacote o reajuste do Bolsa Família, a distribuição de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e subsídios ao preço dos combustíveis.

Sessão plenária do Senado Federal
Sessão plenária do Senado Federal
Foto: Ton Molina/Agência Senado

O projeto aumenta o limite de faturamento anual dos microempreendedores individuais de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A mudança permite que os empreendedores aumentem o faturamento e continuem enquadrados no MEI, pagando menos impostos para a União.

Além disso, a mudança permite a contratação de dois empregados que recebam um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. Hoje, um MEI pode contratar só um funcionário.

A proposta também amplia a contratação de micro e pequenas empresas pelo poder público. Atualmente, a lei exige a contração de microempresas e empresas de pequeno porte em contratos de até R$ 80 mil. O projeto aumenta o valor para R$ 100 mil.

Junto com o aumento do do teto do MEI, os parlamentares aprovaram o perdão das dívidas tributárias desses empreendedores com a União. O governo vai perdoar pelo menos R$ 12,86 bilhões em dívidas.

O projeto original perdoava os débitos inscritos na Dívida Ativa da União, que são aqueles em que o governo é autorizado a fazer cobranças administrativas e judiciais. Na Câmara, os deputados contemplaram todas as dívidas, inscritas ou não na Dívida Ativa. O alcance, portanto, ficou maior.

Segundo o relator do projeto na Câmara, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), a ampliação acrescenta mais R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões em dívidas na remissão. O Ministério da Fazenda disse que só será possível avaliar o impacto quando o governo for informado sobre a versão final do texto.

Quem tinha débitos até 13 de outubro será anistiado em 2027. A exigência é que pague as contas em dia nos seis meses seguintes, sob pena de cancelamento do perdão. Quem já pagou em dia não terá os valores devolvidos.

O presidente também anunciou um Pix de até R$ 5 mil para microempreendedores, mas a proposta ainda não foi formalizada e só poderá ser efetivada em 2027, primeiro ano do próximo mandato presidencial. A lei proíbe a criação de novos benefícios sociais em ano eleitoral.

O impacto fiscal do aumento do teto do MEI é de aproximadamente R$ 1,57 bilhão em 2027 e R$ 3,15 bilhões em 2028, diminuindo as receitas da União. Com o perdão das dívidas, o governo estima uma renúncia de receitas de R$ 3 bilhões em três anos, considerando os valores que seriam efetivamente recuperados nesse período.

As mudanças exigem ajustes no Orçamento de 2027, como mostrou o Estadão. A ampliação do teto do MEI já foi considerada. O perdão das dívidas, por outro lado, precisará ser incorporado. O projeto dispensa a necessidade de compensar a queda de arrecadação, mas ainda assim o Orçamento precisa ser ajustado porque as mudanças alteram as estimativas de receitas da União que acomodam os gastos públicos.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra