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Segmento imobiliário começa a se aventurar pelo metaverso

Empresa americana que chegou ao Brasil no ano passado cria experiência virtual e vende produtos do País em todo o mundo

30 set 2022 - 05h11
(atualizado em 4/10/2022 às 07h02)
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Passada a euforia inicial com o metaverso, em que houve uma grande corrida para saber quem ocupava os espaços virtuais mais rapidamente, alguns projetos do setor imobiliário começam a sedimentar nessa área. Um deles, apresentado durante o Summit Imobiliário Brasil 2022, é o da Exp World Holdings, empresa americana que abriu o capital em 2018 e chegou ao Brasil em 2021.

"Temos 85 mil corretores espalhados por 22 países dentro da plataforma Virbela. Todas as reuniões e operações do dia a dia são feitas no metaverso", explicou Claudio Hermolin, Country Manager da EXP Realty no Brasil. "Com isso, temos a possibilidade de vender produtos do Brasil em todo o mundo", disse o executivo. O grupo, afirmou Hermolin, não tem nenhum endereço físico. "Gosto da definição de metaverso que diz que se trata de um ambiente virtual onde elementos sociais espelham a realidade, com interação entre si."

Claudio Hermolin, Country Manager da EXP Realty no Brasil; grupo não tem nenhum endereço físico e todas as reuniões e operações do dia a dia são feitas no metaverso.
Claudio Hermolin, Country Manager da EXP Realty no Brasil; grupo não tem nenhum endereço físico e todas as reuniões e operações do dia a dia são feitas no metaverso.
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Fora do mercado exclusivamente imobiliário, os projetos também estão em evolução e, no caso do setor da moda, até em maior velocidade, explica Valéria Carrete, Chief Revenue Officer da R2U. "Uma das nossas ações recentes envolve uma iniciativa da Aramis", explicou a executiva.

Por querer rejuvenescer a sua identidade, a empresa de roupas resolveu criar uma jaqueta tecnológica no mundo real, que ganhou um gêmeo digital no metaverso, como dizem os desenvolvedores desses produtos. "No caso, nosso papel é facilitar a entrada da empresa no metaverso, a montar estratégias para isso." Segundo Valéria, os NFTs (bens digitais autênticos e únicos criptografados feitos a partir da tecnologia blockchain), hoje, precisam trazer um benefício com eles. No caso da Aramis, por exemplo, eles podem desbloquear acessos especiais ao clube de benefícios da empresa, que oferece eventos exclusivos.

Gêmeos digitais

A criação de gêmeos digitais no mercado imobiliário também começa a ocorrer no Brasil, segundo a executiva da R2U. Em Maringá, no Paraná, existe hoje um condomínio que também está sendo construído no metaverso - ele já existe no mundo real. "As pessoas podem até acompanhar o andamento da obra", disse Valéria, para quem a fase do metaverso ainda está na "era discada", fazendo alusão a chegada na internet nos anos 1990 no Brasil, quando o acesso à rede era feito por linha telefônica convencional. "Está todo mundo experimentado. Vai ter erros e acertos. Existem hoje 42 metaversos pelo mundo. A grande questão é saber o que o consumidor espera? São as comunidades que vão ditar muito o que vai ocorrer daqui para frente", explicou Valéria.

Embrião

Dentro dessa fase ainda embrionária da criação dos metaversos, Caroline Nunes, CEO da InspireIP, já enxerga uma mudança importante em relação ao papel dos NFTs. "A não ser que seja uma obra de arte, a ideia hoje é que os NFTs não são mais o fim, mas sim o meio", disse Caroline. Segundo a empreendedora, que liderou uma equipe que acabou de entregar o metaverso do SBT, existem várias ações que já podem ser atreladas ao universo dos tokens não fungíveis. "Como conservação ambiental, propriedade intelectual e, até, registro de imóveis".

Samba

E o samba também chegou no metaverso, como explica Fernando Godoy, CEO da Flex Interativa. Empresa que acabou de montar a quadra da escola de samba da Mangueira no Upland, que usa referências geográficas reais do Google. Ou seja, no mundo virtual, onde existe uma cidade do Rio de Janeiro replicada em dimensões reais, o terreno usado para a quadra da Verde e Rosa fica no mesmo lugar de onde ele está no mundo real. "A ideia é montar uma relação com o mundo físico. Com a presença de grandes marcas e benefícios reais, como a participação em ensaios ou até no desfile", diz Godoy.

Segundo o executivo, a questão da estratégia virtual de uma empresa hoje é fundamental, e precisa seguir uma série de etapas. "O primeiro ponto é escolher em qual metaverso entrar", afirma Godoy. E, depois, saber um pouco como e o que se pretende comunicar pois existem públicos diferentes em cada metaverso. "A questão final é entregar experiências.

Estadão
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