Produção da Petrobras cresce 14,4% no 2º trimestre de 2026; refinarias operam acima da capacidade
Vendas internas de derivados cresceram 1,6% no segundo trimestre comparadas a igual período de 2025
RIO - A Petrobras ampliou a produção de petróleo e gás e aumentou o ritmo do refino no segundo trimestre de 2026 em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. A estatal produziu, em média, 3,308 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 14,4% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a produção de derivados cresceu 10,9%, com o fator de utilização das refinarias alcançando 101%. O maior processamento reduziu a necessidade de importações de combustíveis, que caíram 85,2% no período.
Na comparação com o trimestre anterior, a produção de petróleo e gás avançou 3,5%. O resultado veio dentro das expectativas do mercado, que já aguarda com isso números robustos também para o resultado financeiro da estatal, que será divulgado no dia 6 de agosto.
O segundo trimestre foi o primeiro a absorver integralmente os altos preços do petróleo trazidos pela guerra entre Estados Unidos e Irã e a restrição do tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz. Antes da guerra, a rota servia de canal para cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.
A produção de petróleo foi de 2,689 milhões de barris por dia (bpd) no segundo trimestre deste ano, que cresceu 15,2% em relação ao segundo trimestre de 2025. Já em relação ao trimestre anterior, a produção subiu 4,1%.
Em nota, a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, destacou que o cenário tornou "ainda mais relevantes" a eficiência operacional e a integração de ativos.
"O maior aproveitamento da nossa produção de derivados e menor necessidade de importações. Com planejamento e gestão eficiente de estoques, a produção própria de diesel foi suficiente para sustentar os compromissos da Companhia ao longo do período", comentou.
A produção de gás natural totalizou 619 mil boed, alta de 10,7% na comparação anual e avanço de 1% em relação ao trimestre imediatamente anterior. No pré-sal, foram extraídos, em média, 2,299 milhões de bpd de abril a junho, 15,8% a mais ante o segundo trimestre de 2025 e avanço de 5,0% contra o trimestre imediatamente anterior.
Ainda no comunicado, a diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, ressaltou que o período foi marcado pela entrada em operação da P79, oitava unidade no campo de Búzios, reforçando a "relevância estratégica desse ativo para o Brasil".
Venda interna de derivados cresce 1,6%
O volume total de vendas de derivados da Petrobras no mercado interno foi de 1,742 milhões de barris por dia (Mbpd) no segundo trimestre de 2026, alta de 1,6% ante o mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o volume recuou 0,1%.
Em relatório, a Petrobras informou que os números de vendas de derivados no mercado interno permaneceram em linha com o período anterior, sustentados pelo avanço do diesel e do GLP, favorecidos por fatores sazonais de demanda, que compensaram a redução observada nos demais derivados.
No diesel, as vendas totalizaram 742 mil bpd e cresceram 2,9% em um ano. Na comparação com os três meses anteriores, o volume avançou 0,5%. Na gasolina, as vendas somaram 404 mil bpd e se mantiveram estáveis ante o segundo trimestre de 2025. Contra o trimestre imediatamente anterior, recuaram 2,2% em razão da maior competitividade do etanol hidratado em diversos mercados, segundo a estatal.
Produção total tem alta de 10,9%
Já a produção total de derivados da Petrobras de abril a junho totalizou 1,918 milhão de barris por dia (Mbpd), alta de 10,9% na comparação anual. O fator de utilização total (FUT) do parque de refino sobe para 101% no segundo trimestre, ante 91% sobre igual intervalo de 2025.
Com as refinarias operando acima da capacidade de abril a junho, as manutenções foram adiadas para aumentar a oferta de diesel e gasolina no mercado interno e reduzir as importações a preços elevados. Para o terceiro trimestre, a Petrobras ainda não informou se terá de parar a produção em alguma unidade, o que poderia reduzir o fator de utilização (Fut) da companhia.
Importações caem 55,2%
As importações totalizaram 150 mil barris por dia (bpd) no segundo trimestre de 2026, baixa de 55,2% em comparação ao igual período de 2025. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, as importações recuaram 41,8%.
Segundo a Petrobras, a importação de diesel recuou 85,2% em relação a um ano antes, para 18 mil bpd, e caiu 63,3% em comparação ao trimestre anterior. A companhia ainda informou que não importou gasolina no segundo trimestre de 2026.
Já as exportações de petróleo somaram 996 mil bpd e avançaram 44,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Na comparação com o trimestre anterior, o volume subiu 12,2%. A companhia ainda informou que não importou gasolina no segundo trimestre de 2026.
A decisão de não importar diesel a preços maiores nos meses entre abril e junho devem ter um impacto positivo no resultado financeiro, mas a estatal já informou que em julho e agosto voltaria a importar o produto, cujo preço vem subindo mais do que o petróleo no mercado internacional.
Até o momento, a empresa está conseguindo conviver sem reajustes internos diante da alta defasagem do preço de derivados — como diesel e gasolina —, por causa do programa de subvenção do governo, que pode acabar com o fim da guerra entre EUA e Irã.
No comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal reforçou que, no contexto geopolítico atual, "a elevada utilização do parque de refino tem sido fundamental para ampliar a oferta de derivados", o que levou a companhia a registrar, no período, o menor volume trimestral de importações de derivados.
As vendas para a China caíram 51% do total do petróleo exportado pela Petrobras para 35%. Segundo a companhia, o recuo se deu, principalmente, pelas medidas do País para minimização de suas importações mediante o cenário de preços no mercado internacional.
Já a exportação de petróleo para a Índia subiu de 3% no segundo trimestre de 2025 para 22% no mesmo período de 2026. Os Estados Unidos, que representavam 27% das exportações de derivados no segundo trimestre de 2025, passaram a representar 31% no mesmo período de 2026.
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