Preços continuam complicando dia a dia dos brasileiros e seguem longe da meta em ano pré-eleitoral
A menos de um ano do próximo pleito, governo pode ser forçado a escolher entre dinamismo da economia, com produção vigorosa e boa oferta de emprego, e segurança de preços mais contidos
Puxado por alimentação, conta de luz e transportes, os três itens de maior peso no orçamento familiar, o custo de vida aumentou 3,15% neste ano, até agosto, e continuou complicando o dia a dia da maior parte dos brasileiros.
A alta de preços chegou a 5,13% em 12 meses e, embora perdendo impulso, continuou bem acima do teto da meta, 4,5%, e muito longe do centro do alvo, 3%. Apesar de algum recuo, a carestia continua sendo um desafio especialmente importante para o governo.
A menos de um ano das próximas eleições, o governo pode ser forçado a escolher entre o dinamismo da economia — com produção vigorosa e boa oferta de emprego — e a segurança de preços mais contidos. O Produto Interno Bruto (PIB), correspondente à soma dos bens e serviço finais gerados num período, cresceu 0,4% no segundo trimestre, superou por 2,2% o volume contabilizado um ano antes e acumulou expansão de 3,2% nos 12 meses terminados em junho. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Puxado pela agricultura e pelos serviços, o crescimento geral do PIB torna menos visível o desempenho medíocre da indústria, com crescimento de 1,9% nos 12 meses até julho e estagnação nos quatro meses finais desse período. Embora algum avanço tenha sido alcançado, a política industrial em execução desde o início do atual governo pouco afetou, até agora, o ritmo de expansão do setor manufatureiro.
Favorecida principalmente pelo setor de serviços, a ocupação tem-se mantido elevada. O desemprego recuou de 7% para 5% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, chegando ao menor nível da série iniciada em 2012. A taxa de ocupação, 58,8% da força de trabalho, retornou ao recorde registrado no trimestre de setembro a novembro do ano passado.
Mantido esse quadro, o País fechará o ano com crescimento econômico superior aos 2,16% indicados no último boletim Focus, mas com inflação ainda longe da meta. O governo poderá facilitar a contenção dos preços se moderar seus gastos. Para isso, precisará aceitar uma política mais austera — com menores gastos — num ano pré-eleitoral. Essa política seria contrária tanto aos padrões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto aos de seu partido.