MMG recebe advertência antitruste da UE por acordo sobre níquel no Brasil com a Anglo American
A União Europeia emitiu uma advertência antitruste contra a compra do negócio de níquel da Anglo American no Brasil pela mineradora MMG, ligada ao governo chinês. Reguladores temem o desvio de ferroníquel de baixo carbono para a China, prejudicando os produtores europeus de aço inoxidável e elevando os preços. O caso reforça a preocupação do bloco com a dependência de minerais críticos. Para destravar o acordo, a MMG precisará oferecer concessões, como garantias de fornecimento a longo prazo à Europa.
A MMG recebeu na quarta-feira uma advertência antitruste da União Europeia em relação ao seu plano de adquirir o negócio brasileiro de níquel da Anglo American , já que os reguladores afirmaram que a empresa de mineração e metais, listada na bolsa de Hong Kong, poderia desviar o fornecimento da Europa, prejudicando os produtores europeus de aço inoxidável.
A Comissão Europeia, que atua como órgão responsável pela aplicação das regras de concorrência na União Europeia, expôs suas preocupações em uma declaração de objeções, confirmando uma reportagem da Reuters divulgada na semana passada.
A medida ressalta as crescentes preocupações da União Europeia quanto à dependência do bloco em relação à China no que diz respeito a minerais críticos, essenciais para a defesa, a tecnologia e a energia renovável, bem como ao uso, por Pequim, de medidas de controle de exportação sobre o fornecimento desses minerais.
A advertência da UE aumentou a pressão sobre a MMG para que ofereça concessões em troca da aprovação do negócio. As medidas corretivas oferecidas pela empresa durante a análise preliminar da Comissão foram rejeitadas por não abordarem suficientemente as preocupações.
"A MMG poderia desviar o fornecimento de ferroníquel de baixo carbono da empresa-alvo, direcionando-o, em particular, para seus produtores afiliados de aço inoxidável (controlados pela SASAC) e afastando-o dos produtores europeus", afirmou a Comissão em comunicado.
"Tal desvio de fornecimento, combinado com fontes alternativas limitadas de abastecimento, poderia afetar negativamente o preço do ferroníquel de baixo carbono no EEE e ter um impacto negativo na resiliência dos produtores europeus de aço inoxidável", afirmou.
A Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China (SASAC) controla a China Minmetals Corporation, que, por sua vez, controla a MMG.
A Anglo American disse estar decepcionada com a advertência da UE, acrescentando que o acordo manteria o número de fornecedores no mercado.
"A avaliação da CE parece ter ignorado as realidades comerciais do mercado e a expansão significativa da oferta de ferroníquel (FeNi) que realmente ocorreu nos últimos 12 meses", afirmou um porta-voz.
A MMG não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Seu gerente geral executivo de relações corporativas disse à Reuters na quarta-feira que a empresa está disposta a garantir o fornecimento de ferroníquel a longo prazo aos clientes europeus para amenizar as preocupações da UE.
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