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Líderes de aéreas lidam com choque de combustível e teste de tarifas em cúpula no Rio

6 jun 2026 - 12h39
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Os chefes das companhias ‌aéreas globais abrem sua cúpula anual no Rio de Janeiro, neste sábado, enfrentando um teste mais nítido da recuperação pós-pandemia do setor, já que a guerra do Irã aumenta os custos de combustível e perturba o espaço aéreo, enquanto as companhias tentam amortecer o golpe com tarifas mais altas e capacidade mais restrita.

A reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), entre de 6 a 8 de junho, ocorre em um momento em ⁠que esse choque de combustível colide com outro problema que as companhias aéreas não conseguem resolver rapidamente: a escassez de ‌novas aeronaves.

Os atrasos na entrega da Boeing e da Airbus forçaram muitas companhias aéreas a manter jatos mais antigos e menos eficientes em termos de combustível em serviço por mais tempo, aumentando as contas de manutenção e combustível, exatamente ‌quando os preços do petróleo subiram.

A Iata, que representa mais de 370 ‌companhias aéreas, responsáveis por cerca de 85% do tráfego aéreo global, havia projetado um lucro líquido recorde ⁠de US$41 bilhões este ano para o setor antes da guerra. Executivos e analistas do setor esperam que essa perspectiva seja reduzida na reunião.

Uma pesquisa da Deloitte com 21 presidente-executivos de companhias aéreas globais, publicada esta semana, constatou que a volatilidade do preço do combustível e a inflação estão no topo da agenda de riscos do setor, levando as transportadoras a se concentrarem mais no controle de custos e na saúde financeira.

"Juntos, eles transformaram o que deveria ‌ser um ano recorde em uma luta pela margem", disse a pesquisa.

A companhia aérea brasileira Azul está planejando reduzir mais voos para ‌atender à demanda devido aos preços ⁠mais altos do combustível de ⁠aviação, disse o presidente-executivo da empresa, John Rodgerson.

Nikhil Ravishankar, presidente-executivo da Air New Zealand, disse que as companhias aéreas só podem ⁠aumentar os preços das passagens até certo ponto para compensar os ‌custos mais altos do combustível.

"O mercado responderá ‌e a demanda diminuirá, e então você voará menos", disse ele em uma entrevista.

As companhias aéreas têm dois custos principais: combustível e mão de obra. Aumentos repentinos no combustível são difíceis de absorver porque muitas passagens são vendidas semanas ou meses antes da viagem. Rotas mais longas também consomem mais combustível e tornam ⁠as aeronaves e as tripulações menos eficientes.

O desafio é saber quanto do último aumento de combustível pode ser repassado aos viajantes antes que as tarifas mais altas comecem a enfraquecer a demanda.

PODER DAS TARIFAS

Até o momento, a demanda por viagens tem se mantido em vários grandes mercados, especialmente entre os viajantes premium e corporativos, dando às companhias aéreas mais espaço para aumentar as tarifas.

Nos Estados Unidos, dados ‌de tarifas domésticas publicados em 25 de maio mostraram uma demanda robusta e um repasse bem-sucedido dos custos mais altos de combustível, com as tarifas de uma semana subindo 35,8% em relação ao ano anterior e as ⁠tarifas de quatro semanas avançando 39,4%, de acordo com Raymond James.

"A disposição de pagar nos últimos anos, com crise ou sem crise, do lado premium tem sido muito forte, e vemos que essa força continua", disse à Reuters Alexandre Lefevre, vice-presidente de planejamento de rede e vendas globais da Air Canada .

Ainda assim, há limites. As tarifas mais altas podem ajudar as companhias aéreas a recuperar parte de sua conta de combustível, mas também correm o risco de afastar os viajantes com orçamentos mais apertados. Esse risco é maior em regiões onde as moedas estão fracas, os gastos do consumidor estão sob pressão ou as companhias aéreas não têm o poder de precificação das grandes redes de companhias aéreas.

Algumas companhias aéreas ainda estão planejando o crescimento. A Singapore Airlines está em negociações para a compra de pelo menos 50 jatos grandes de fuselagem larga, enquanto a Qantas está avaliando um pedido de cerca de 20 aeronaves de fuselagem larga da Airbus ou da Boeing, informou a Reuters esta semana.

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