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Kazaks vê argumentos cada vez mais fortes a favor de mais aperto monetário pelo BCE

14 set 2026 - 07h54
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Resumo
Martins Kazaks, membro do Banco Central Europeu, defendeu a elevação gradual dos juros para conter a inflação, impulsionada pela alta dos combustíveis devido à guerra no Irã. Após o BCE subir a taxa básica para 2,5%, Kazaks afirmou que os argumentos para mais aperto monetário crescem e que o patamar atual não é um teto, podendo entrar em terreno restritivo para evitar o repasse de custos a preços e salários em uma economia operando em plena capacidade, embora a instituição possa agir sem pressa.

O Banco Central ‌Europeu pode precisar aumentar gradualmente as taxas de juros para conter a inflação antes que a alta nos custos dos combustíveis devido à guerra no Irã comece a se refletir nos salários e em outros preços, afirmou ⁠o membro do BCE Martins Kazaks à Reuters.

Presidente do Banco Central da Letônia, Martins Kazaks
 23 de setembro de 2022. REUTERS/Ints Kalnins/ Foto de arquivo
Presidente do Banco Central da Letônia, Martins Kazaks 23 de setembro de 2022. REUTERS/Ints Kalnins/ Foto de arquivo
Foto: Reuters

O BCE elevou ‌sua taxa básica na quinta-feira — de 2,25% para 2,5% — pela segunda vez neste ano e alertou que as ‌pressões sobre os preços decorrentes ‌do conflito no Irã podem se mostrar duradouras, alimentando ⁠apostas em mais aperto monetário já em outubro.

Kazaks, presidente do banco central da Letônia, vê espaço para novos aumentos já que os preços da energia e a inflação em geral permanecem elevados.

"Os argumentos a favor de mais ‌aperto estão se aumentando", disse ele em entrevista por telefone.

Kazaks ‌acrescentou que 2,5%, valor ⁠que o ⁠BCE descreveu como o limite superior da faixa neutra, que nem ⁠estimula nem restringe o ‌crescimento , não deve ser ‌visto como um teto.

"A taxa de juros pode precisar entrar em território restritivo", disse ele. "Não há um limiar invisível, nem um patamar mais alto a ser ⁠alcançado, para que a taxa ultrapasse 2,50%."

A inflação anual na zona do euro ficou em 3,3% em agosto, e o BCE estima que ela subirá ainda mais nos próximos meses.

Kazaks não quis ‌se pronunciar sobre se um novo aumento já pode ocorrer em outubro, mas afirmou que o BCE pode agir "gradualmente" ⁠e "sem pressa".

"Se agirmos gradualmente, estaremos bem posicionados", disse ele. "Graças às decisões anteriores que se mostraram adequadas, até o momento podemos nos dar ao luxo de agir sem pressa ou nervosismo."

Ele destacou que a economia da zona do euro está operando em plena capacidade, de modo que os custos mais altos dos combustíveis podem ser repassados com mais facilidade.

"O hiato do produto está se fechando, o que significa que o repasse para os preços e salários pode se intensificar", disse ele. "Isso representa claramente um risco de alta para a inflação."

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