IPCA-15 sobe mais que o esperado em setembro sob pressão de energia; alimentos voltam a avançar
Em 12 meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior
O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, superando as expectativas e acumulando 4,47% em 12 meses, próximo ao teto da meta. Segundo o IBGE, a alta foi impulsionada pelo grupo Habitação, devido ao salto de 7,42% na energia elétrica residencial com o fim do bônus de Itaipu e a bandeira amarela. Alimentos e bebidas também voltaram a subir (0,40%), liderados pelo tomate, arroz e carnes, assim como Transportes (0,60%), pressionados por passagens aéreas e combustíveis, em meio à postura de cautela do Banco Central.
O IPCA-15 subiu mais do que o esperado em setembro sob pressão da energia elétrica, passados os efeitos do bônus de Itaipu, e com os preços de alimentos voltando a avançar, o que levou a taxa em 12 meses a aproximar-se do teto da meta.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,70% em setembro, depois de recuar 0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Em 12 meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior. O objetivo para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Os resultados do mês ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,53% na comparação mensal e de 4,30% em 12 meses.
Os dados do IBGE mostram que em setembro a maior variação e o maior impacto de alta vieram do grupo Habitação, cujos custos subiram 2,07%. Isso porque a energia elétrica residencial teve alta de 7,42% em setembro, após queda de 6,25% em agosto, uma vez que saiu da conta o alívio proporcionado no mês passado pelo bônus de Itaipu --valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.
Além disso, em setembro a bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Já o grupo Transportes apresentou avanço de 0,60% no mês com alta de 9,82% das passagens aéreas. Os combustíveis subiram 0,22%, com gás veicular (1,56%) e gasolina (0,30%) apresentando taxas positivas enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) caíram.
Já Alimentação e Bebidas deixou para trás a queda de 0,57% em agosto e passou a subir 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio teve alta de 0,38%, após recuar 0,97% no mês anterior.
Destacaram-se os aumentos do tomate (20,76%), do arroz (2,39%) e das carnes (1,30%).
Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
Na ata desse encontro, o BC defendeu a manutenção de nível restritivo dos juros básicos no país diante da pressão de demanda, ainda que se observe um arrefecimento em dados de atividade econômica, crédito e inflação.
Um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecem o consumo, ficando no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte.
A projeção de analistas para a inflação neste ano subiu a 4,92% na última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central.
O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
(Edição de Isabel Versiani)
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