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Ibovespa fecha em queda de quase 14% após reeleição de Lula acionar "circuit breaker"

26 out 2026 - 17h11
(atualizado às 17h51)
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Resumo
O Ibovespa despencou 13,88% e acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020, reagindo à reeleição de Lula sobre Flávio Bolsonaro, resultado que contrariou as expectativas de um governo mais pró-mercado. A forte aversão ao risco gerou incertezas fiscais e derrubou bancos e varejistas, com Magazine Luiza caindo 58% e Banco do Brasil 29%. Em contrapartida, a disparada do dólar impulsionou exportadoras como Embraer, Suzano e Vale, enquanto o mercado aguarda acenos para a nova equipe econômica.

O Ibovespa fechou com a maior queda desde 2020 nesta segunda-feira, marcada por "circuit breaker" na bolsa paulista, em ‌meio a uma forte reprecificação das ações brasileiras após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistar a reeleição no domingo. 

Investidores vinham se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa, principalmente após ele liderar a primeira etapa da disputa, vislumbrando um governo mais favorável ao mercado e melhora do cenário fiscal. Mas, no domingo, Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos, frustrando tais expectativas e desencadeando uma forte correção no mercado financeiro brasileiro como um todo. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa despencou 13,88%, a 176.608,23 pontos, maior perda percentual em um dia desde 16 março de 2020 (-13,92%), período marcado pela pandemia de Covid. No pior momento do dia, o Ibovespa apurou ⁠queda de mais de 17%, a 169.516,43 pontos.

O índice Small Caps tombou 26,92%, para 2.036,13 pontos, maior queda em um dia da sua série histórica, iniciada em 2005.

O volume financeiro no pregão totalizou quase ‌R$114,9 bilhões, bem acima de uma média diária já alta no mês, de cerca de R$57,5 bilhões e perto do recorde registrado em abril desse ano, quando atingiu R$120 bilhões, inflado naquela sessão pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

FREIOS ACIONADOS

A B3 acionou o "circuit breaker" na abertura, suspendendo por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ‌ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. A B3 afirmou que decisão de acionar o ‌mecanismo baseou-se na análise do cenário de formação do preço teórico do Ibovespa, que indicava queda superior a 20%.

O "circuit breaker" não era acionado na bolsa desde março de 2020.   

"O ⁠mercado embutiu nos seus preços uma expectativa diferente no primeiro turno do que efetivamente se concretizou no segundo turno e como esse resultado foi diametralmente diferente das expectativas há esse ajuste forte", afirmou a investidora Louise Barsi, cofundadora do Grupo AGF (Ações Garantem o Futuro).

"O momento é de cautela, mas não é nem 8 nem 80, não acho que é para zerar o caixa, mas também não acho que é para deixar algumas oportunidades passarem, principalmente nomes de qualidade", afirmou, lembrando que políticos passam, mas as boas empresas ficam e as oportunidades surgem justamente nesses momentos de grande instabilidade e incerteza.

Olhando para frente, Louise citou que não dá para cravar que esse foi o único ajuste e citou que há um cenário desafiador para 2027, com baixo crescimento econômico, risco persistente de ‌pressão inflacionária e juros ainda em níveis elevados. "Vamos ver se o governo vai fazer algum aceno ao mercado para tentar acalmar os ânimos", disse a investidora, que é filha de Luiz Barsi Filho, um ‌dos maiores investidores individuais da bolsa brasileira.

ACENO

Ainda nesta segunda-feira, o ministro ⁠da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que o ⁠governo apresentará uma proposta para que possa perseguir o centro da meta fiscal ao longo do ano, e não mais o piso da margem de tolerância.

Na visão de agentes financeiros, houve um aumento das incertezas ⁠sobre as perspectivas fiscais do país e a direção dos preços dos ativos brasileiros agora dependerá das sinalizações sobre a ‌política econômica do novo mandato. As atenções estão voltadas para ‌a decisão sobre quem comandará o Ministério da Fazenda, bem como uma definição mais precisa da estratégia de consolidação fiscal para os próximos quatro anos.

O Goldman Sachs espera, "no máximo, medidas modestas para conter o crescimento dos gastos primários, acompanhadas por novos aumentos de uma carga tributária que já é elevada. "O governo provavelmente manterá sua forte convicção de que o setor público e as estatais devem continuar desempenhando papel central como motores do crescimento econômico e do investimento", acrescentou em relatório a clientes.

Para o Morgan Stanley, há, de modo geral, um ⁠risco relevante de queda para as ações brasileiras antes do fim do ano, especialmente para empresas mais expostas ao mercado doméstico. "Apesar de acreditar que a reação inicial dos mercados deve ser uma forte redução de exposição ao risco, o desafio subjacente é muito mais profundo, refletindo desequilíbrios macroeconômicos estruturais que se tornam cada vez mais difíceis de reverter."

O Scotiabank também destacou que o fato de Flávio se recusar a reconhecer a derrota e entrar com uma contestação judicial do resultado deve manter a incerteza política elevada, mantendo sob pressão as ações brasileiras. "Continuamos otimistas em relação ao Brasil, mas pode ser necessário ter mais paciência", afirmou.

DESTAQUES

• BANCO DO BRASIL ON desabou 29,33%, fechando em uma mínima desde ‌maio de 2023, a R$17,47, em sessão bastante negativa para o setor financeiro, que vinha também sendo um dos mais beneficiados pelas expectativas de vitória de Flávio Bolsonaro. BTG PACTUAL UNIT tombou 24,83%, BRADESCO PN despencou 21,7%, ITAÚ UNIBANCO PN caiu 13,66% e SANTANDER BRASIL UNIT , que divulga balanço na quarta-feira, fechou em queda de 4,47%.

• B3 ON caiu 36,28%, enquanto XP , ⁠listada nos EUA, afundou 48,36%, na maior queda em um dia desde o IPO em 2019, e Nubank, também listada em Nova York, recuou 16,95%. Para analistas do JPMorgan, há risco de revisões negativas para as estimativas de mercado para o lucro por ação nos próximos dias e 2027 pode se mostrar um ano mais desafiador para o cenário macroeconômico brasileiro. O índice do setor financeiro caiu 22,48%.

• PETROBRAS PN recuou 8,18% e PETROBRAS ON perdeu 6,81%, também contaminadas pela aversão a risco na bolsa brasileira, em pregão ainda marcado pelo declínio dos preços do petróleo no mercado internacional. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira que a forte queda nas ações se trata de "movimento especulativo" e não reflete os fundamentos da empresa. "A hora é de comprar (ações). Infelizmente não posso", disse a executiva à Reuters.

• VALE ON subiu 4,01%, descolada do viés vendedor no pregão paulista, assim como outras exportadoras, em meio à forte valorização do dólar ante o real. No fechamento, a cotação acusou R$5,4066, alta de 8,36%. Na máxima do dia, chegou a superar os R$5,60. SUZANO ON avançou 10,08% e EMBRAER ON fechou com elevação 8,89%, na ponta positiva do Ibovespa, assim como WEG ON, que valorizou-se 4,21%, em pregão ainda marcado pelo anúncio de compra do negócio de Power Controls Solutions (PCS) da empresa norte-americana L&S Electric por US$11 milhões.

• GERDAU PN fechou em alta de 0,91% antes da divulgação do balanço do terceiro trimestre, após o fechamento do mercado. A companhia tem parte relevante da receita oriunda da América do Norte. No setor, USIMINAS PNA perdeu 10,71% e CSN ON tombou 17,46%.

• MAGAZINE LUIZA ON derreteu 58,23%, em dia de forte pressão em papéis sensíveis a juros dado o movimento na curva de DIs. O índice de consumo da B3 caiu 26,39%, enquanto o índice do setor imobiliário perdeu 29,11%, com CYRELA ON despencando 44,81%.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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