'Estamos vivendo um hospício financeiro no Brasil'; Parente e Gianetti sugerem 'plano real' do juro
Em debate promovido pelo Estadão, ex-presidente da Petrobras e presidente da Kaduna Consultoria discutem rigidez das despesas públicas, juros elevados e entraves políticos
Em debate promovido pelo Estadão, Pedro Parente e Roberto Gianetti defenderam o controle rigoroso dos gastos públicos e a credibilidade fiscal como passos essenciais para reduzir os juros e impulsionar a economia. Classificando o cenário atual como um "hospício financeiro", os economistas criticaram a alta carga tributária e a baixa produtividade do país. Eles apontam que, sem espaço para elevar impostos, conter a dívida pública é vital para alcançar uma taxa de juros reais sustentável de 5%.
O controle dos gastos públicos e a recuperação da credibilidade fiscal são fundamentais para reduzir os juros e impulsionar o crescimento econômico brasileiro, de acordo com Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras, e Roberto Gianetti, presidente da Kaduna Consultoria. Ambos sugerem medidas para conter o avanço da dívida pública e melhorar a eficiência do Estado, mas ponderam que a implementação das propostas esbarra em resistências políticas e na rigidez do orçamento.
Os economistas participam do segundo debate de uma série de encontros com empresários e economistas, que o Estadão vai realizar ao longo da semana sobre os desafios econômicos que serão enfrentados pelo próximo governo.
Parente afirma que um ajuste fiscal equivalente a quatro pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB) representaria um corte de despesas da ordem dos gastos com Bolsa Família, seguro-desemprego e abono salarial somados. A carga tributária brasileira elevada agrava a situação, diz Parente, enquanto a entrega de serviços públicos permanece aquém do esperado.
O ex-presidente da Petrobras também criticou a baixa produtividade do País e o crescimento lento do PIB. "É uma vergonha o que acontece com a produtividade brasileira", diz.
"Estamos vivendo um hospício financeiro no Brasil", afirma Gianetti, que avaliou que a redução dos juros depende de uma melhora nas expectativas do mercado em relação à sustentabilidade da dívida pública. A perspectiva de deterioração fiscal eleva os juros, encarece o serviço da dívida e retroalimenta o desequilíbrio das contas, avalia.
O economista defendeu a busca por um juro real de 5%, que considera viável para a economia brasileira, e afirmou que o aumento da carga tributária encontra resistência da sociedade e do Congresso, o que torna necessário enfrentar o crescimento das despesas.
Parente, ex-presidente da Petrobras, da BRF e da Bunge Brasil, foi um dos participantes do Brasil Adiante, série de debates promovidos pelo Estadão, que apresentou soluções para o País em quatro grandes eixos temáticos. Já Roberto Gianetti é presidente da Kaduna Consultoria e elaborou a carta de compromisso do Grupo Parlatório, com 14 pilares temáticos, e também a apresentou a Lula (PT) e a Flávio Bolsonaro (PL). O Parlatório é composto por 380 empresários, executivos e lideranças da sociedade civil que representam cerca de 40% do PIB brasileiro.
Na quinta-feira, 22, Laura Muller Machado, professora do Insper, e Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) discutem os desafios da próxima administração federal na área da proteção social e do mercado de trabalho.
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