Embraer avança na Índia com nova aquisição de olho em contrato bilionário de defesa
A transação com a Mahindra se dá no contexto de uma disputa por contratos governamentais na área de defesa de 60 aeronaves, num valor estimado em US$ 10,5 bilhões
A Embraer comprou 51% da indiana Novavayu Aerospace, do grupo Mahindra, para fortalecer sua posição na disputa por um contrato militar de US$ 10,5 bilhões na Índia. A meta da fabricante brasileira é fornecer até 80 aeronaves C-390 Millennium à Força Aérea local, estabelecendo uma linha de produção no país sob o programa industrial Make in India. A estratégia também amplia a presença regional da Embraer no mercado aeroespacial indiano, onde já expande parcerias civis e de defesa.
A Embraerampliou a sua atuação na Índia com o anúncio da aquisição de 51% de participação na empresa de aviação militar Novavayu Aerospace Limited (NAL), subsidiária da Mahindra & Mahindra. A NAL está em estágio pré-operacional e foi incorporada em 29 de julho como subsidiária da Mahindra Defence Systems Limited (MDSL). A transação envolveu 510 mil de rúbias indianas (cerca de R$ 26,7 mil, na cotação de hoje). Com a aquisição, iniciada em 9 de outubro e com conclusão prevista para 1º de dezembro, a Embraer se tornará acionista majoritária da fabricante, que seguirá como associada da MDSL.
A transação com a Mahindra se dá no contexto de uma disputa por contratos governamentais na área de defesa de 60 aeronaves, num valor estimado em US$ 10,5 bilhões. A concorrência é parte do programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA, em inglês) da Força Aérea Indiana (IAF) e também está na mira da americana Lockheed Martin.
Se vencedora, a Embraer criaria uma linha de produção para as aeronaves C-390 Millennium na Índia. O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse recentemente que há oportunidades para a venda de até 80 aeronaves deste modelo ao país asiático.
A Embraer tem aproveitado oportunidades do programa de política industrial "Make in India", que tem entre suas características a flexibilização de investimentos estrangeiros diretos para empresas de setores estratégicos que levem fábricas para a Índia. Em relatório de janeiro, analistas do Citi afirmaram que o avanço da Embraer na Índia a situa como fornecedora preferencial no mercado de aviação regional, que está em rápida expansão.
Hoje, no mercado indiano há atualmente quase 50 aeronaves da Embraer em operação, de 11 diferentes modelos, incluindo aviação comercial, defesa e aviação executiva. A indiana Star Air opera uma frota de 11 aeronaves Embraer E175 e ERJ145.
Uma visita de alto nível à Índia
Em fevereiro, a Embraer realizou uma visita de alto nível à Índia. A visita inaugurou um escritório na capital, Nova Delhi. À época, a empresa anunciou à imprensa que avaliava potenciais fornecedores em áreas como montagem de aeroestruturas, usinagem, forja e fundição, compostos, cablagem, desenvolvimento de hardware e software.
A companhia trabalha também, de acordo com Gomes Neto, para introduzir os jatos E1 e E2 no mercado indiano, com foco em ampliar a conectividade entre cidades menores.
A Embraer tem parcerias com diferentes empresas na região. Uma delas é com a própria Mahindra. As duas firmaram, em outubro de 2025, um Acordo de Cooperação Estratégica (SCA, em inglês) para produzir a aeronave de transporte militar de multimissão C-390 Millennium na Índia.
Há ainda uma Memorando de Entendimento (MOU, em inglês) com a Adani Defence & Aerospace, maior empresa no setor aeroespacial e de defesa da Índia e principal companhia da Adani Enterprises Ltd. O entendimento visa estabelecer uma linha de montagem final para o jato regional E175, no âmbito do programa de Aeronaves de Transporte Regional da Índia.
A Embraer assinou um MOU também com a Hindalco Industries Limited para identificar possibilidades na fabricação de matérias-primas de alumínio aeroespacial para apoiar as iniciativas industriais da Embraer.
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